A semana

Os cancelamentos de MC Gui

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ASSÉDIO O cantor, no trem que leva aos parques da Disney, gravou um vídeo com seu celular para zombar de uma criança (à esq.): desrespeito e constrangimento (Crédito: Divulgação)

O funkeiro MC Gui pode ter visto a sua curta carreira desabar na semana passada. Durante férias na Disney, o cantor postou um vídeo em que zomba da aparência e da vestimenta de uma garotinha. A acusação do tribunal da internet foi de “bullying”, algo muito sério e que deve ser tratado sem gracinhas. Desde então, ele apagou o constrangedor registro de suas redes sociais e tem usado o seu tempo para se desculpar: disse que não quis ofender a garota, e que só achou a sua fantasia curiosa. Tudo em vão. A repercussão foi enorme, com a condenação quase unânime da atitude do funqueiro entre fãs e famosos. Seus patrocinadores, como marcas de roupa, já cancelaram contratos. Ele teve ao menos quatro eventos cancelados. Esse é um claro exemplo da “cultura do cancelamento”, que tanto é discutida entre os jovens. Um astro, não importa se é muito famoso ou em ascensão, pode ser imediatamente “cancelado” ao se comportar de uma forma condenável, como foi o caso de MC Gui. Ele pode pedir desculpas, mas a mancha estará lá. Com a exposição constante das redes sociais, fazer com que tais fatos sejam esquecidos parece praticamente impossível.

 

Argentina

Não chores por mim, pixuleca

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Uma boneca inflável da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner foi içada em frente a faculdade de Direito de Buenos Aires. A boneca está trajada como presidiária, em uma das mãos segura uma mala de dinheiro e na outra, um boneco de Alberto Fernández, seu parceiro de chapa para as eleições presidenciais, que acontecem no domingo 27. O número gravado em seu peito “18-1-15” faz referência ao dia 18 de janeiro de 2015, data em que o promotor Alberto Nisman, que acusava Cristina de encobrir culpados por um atentado terrorista, foi misteriosamente encontrado morto em seu apartamento.

 

Turismo

As escadas do Coringa

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O filme “Coringa” está entre os mais repercutidos em 2019, e o seu impacto na sociedade já começa a ser observado. Tal qual The Beatles e a Abbey Road, em Londres, e Snoop Dogg na Escadaria Selarón, no Rio de Janeiro, as escadas (foto) em que Joaquin Phoenix encenou o momento no qual seu personagem finalmente se caracteriza como o grande vilão viraram ponto turístico. Elas ligam as avenidas Shakespeare e Anderson, no bairro do Bronx, em Nova York, e estão atraindo centenas de visitantes. A região é considerada perigosa e associada a crimes. Esse fato, porém, não tem afastado os turistas. Mede-se, por ai, o sucesso do filme.

 

Justiça

Geddel condenado

O STF condenou o ex-ministro Geddel Vieira Lima junto com seu irmão, Lucio Vieira Lima, a 14 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. O seu caso ganhou notoriedade nacional por causa de uma investigação que conduziu a polícia a um apartamento em Salvador, no qual foram encontrados R$ 51 milhões em espécie. Entre as provas que levaram à condenação, estão as digitais de ambos nos sacos plásticos e nas malas do esconderijo do dinheiro ilícito.

 

Israel

Adeus bibi

Menahem Kahana / AFP

Benjamin Netanyahu (foto) renunciou ao cargo de primeiro-ministro de Israel. Ele culpou o opositor, Benny Gantz, de rejeitar todas as tentativas de acordo para estabelecer a governabilidade. agora, caberá a Gantz a tarefa de reunir parlamentares suficientes para formar uma coalizão, já que nenhum partido conseguiu o número de assentos suficientes. Caso ele também não consiga, os israelenses terão de voltar às urnas pela terceira vez no período de um ano.

 

Cultura

O maluco e o mago

A revelação de que a captura do escritor Paulo Coelho pelo Dops, na época da ditadura militar, pode estar ligada a um depoimento do cantor e compositor Raul Seixas trouxe luz a um capítulo obscuro da cultura brasileira. O episódio é descrito no livro “Não diga que a canção está perdida”, biografia de Raul assinada pelo jornalista Jotabê Medeiros e que será lançado em novembro. A relação entre os dois ícones é bastante documentada em produtos culturais, e o escritor prontamente se pronunciou pelo twitter. “Fiquei quieto por 45 anos, achei que levaria para o túmulo” sem oferecer uma confirmação definitiva para a acusação. Ele também disse que, pouco antes de Raul morrer, eles conversaram sobre o episódio. “Aguas passadas não movem montanhas”, diz Paulo Coelho