Especiais

Os caminhos para a ultraespecialização

Ter no currículo que um conhecimento específico é a melhor maneira de conquistar as vagas mais disputadas

Crédito: Pinkypills

360 HORAS Cursos que combinam conhecimentos em gestão e tecnologia são a nova tendência (Crédito: Pinkypills)

Em tempos de rápidas transformações no mundo dos negócios e de alto índice de desemprego no País, um currículo requintado é cada vez mais importante. Para atender à demanda do mercado, os cursos de pós-graduação, MBA, mestrado e doutorado ficaram mais especializados. Hoje, é importante ter conhecimento de gestão em áreas de tecnologia, inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e cloud. “É preciso que os executivos entendam mais de tecnologia, não para virar programadores, mas para conhecer esse novo mercado”, diz Adriano Mussa, diretor acadêmico e sócio da escola de negócios Saint Paul que, com 15 programas de MBA e pós-graduação, viu a necessidade de implementar esses módulos nos seus cursos.

Disciplinas especializadas em fintechs, blockchain e marketing digital foram acrescentadas à grade de aulas. “Não existe mais essa de ficar apenas explicando o que é o sistema financeiro nacional. É preciso falar sobre como algumas empresas estão modificando o sistema de pagamento no Brasil e as dificuldades de regulação que o Banco Central vem enfrentando com isso”, afirma Mussa. A proposta é ofertar profissionais para os bancos digitais em alta neste momento, como Nubank, Inter, Next e outros. “Essas tecnologias estão fazendo parte de praticamente todas as nossas disciplinas. Um exemplo disso é que hoje é impossível falar de marketing sem falar de marketing digital.” Segundo Mussa, 40% da grade curricular é alterada a cada ano.
Para Aldemir Drummond, vice-presidente da Fundação Dom Cabral, mais importante do que conhecer diversas áreas de atividades é entender profundamente disciplinas específicas: “A ideia da especialização sempre existiu. É importante você ter uma noção daquilo que vai gerenciar, mas, dependendo do seu cargo, é impossível entender de tudo”. Um curso de especialização na entidade pode ter até 360 horas de duração. Quando a ideia é adquirir conhecimento sobre diversas áreas, exigência para altos executivos, Drummond recomenda cursos de curta duração de até 40 horas.

De olho no futuro, a empresa pretende criar programas de gestão ligados à internet. “O que será tendência agora são programas que juntam tecnologia à gestão. É um conhecimento aprofundado de gestão, mas com aspectos tecnológicos”, afirma.
Caminho parecido segue a Fundação Getulio Vargas (FGV). A instituição de ensino está lançando novos cursos de curta duração para atender à demanda crescente. Na área de análise de volumes de dados, por exemplo, a FGV possui programas voltados a gestão de pessoas e marketing, com intuito de analisar campanhas publicitárias. “O curso de curta duração é uma forma de fazer uma imersão no tema, sem se tornar um especialista, para não ficar fora das decisões que envolvem esses assuntos”, afirma João Barroso, diretor de educação executiva da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e em Brasília. Seja no curso de curta duração ou na especialização aprofundada, estudar sempre é o melhor caminho para o sucesso hoje em dia.