Orquestra Ouro Preto realiza festival gratuito em Copacabana

Grupo mineiro leva sua fusão de música erudita e popular à Praia de Copacabana com Samuel Rosa e Alceu Valença

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A 5ª edição da Orquestra Ouro Preto Vale Festival (OOP) acontece nesta sexta-feira (14) e sábado (15) na Praia de Copacabana, no Posto 2, Rio de Janeiro. O evento gratuito apresenta quatro concertos, incluindo os cantores Samuel Rosa e Alceu Valença, que se unem à renomada Orquestra Ouro Preto. O maestro Rodrigo Toffolo regerá o grupo mineiro, conhecido por sua singular fusão de música erudita, literatura e popular.

A Orquestra Ouro Preto leva a 5ª edição de seu festival gratuito à Praia de Copacabana nos dias 14 e 15 de junho.

  • Samuel Rosa realiza seu concerto de estreia com a orquestra nesta sexta-feira (14), apresentando sucessos com novos arranjos.
  • Alceu Valença reencontra a OOP no sábado (15), celebrando 80 anos e homenageando Luiz Gonzaga com ritmos nordestinos.

Foi na areia do Posto 2 que o público já se encantou com edições anteriores do festival e com apresentações regidas pelo maestro Rodrigo Toffolo, que adaptou óperas baseadas em livros como Feliz Ano Velho, Auto da Compadecida e Hilda Furacão. Esses encontros já se tornaram uma tradição do grupo de Minas Gerais, que tem a característica de juntar música de concerto com a literatura e a música popular.

“Isso é muito importante. É ter uma visão contemporânea da orquestra, que não é unicamente obrigada a olhar e tocar uma música do passado e é um patrimônio da humanidade. A música tem que ser tocada, sim, e a orquestra toca”, afirmou o maestro Rodrigo Toffolo em entrevista à Agência Brasil.

Maestro Rodrigo Toffolo, durante apresentação da Orquestra Ouro Preto (Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil)

Ele lembrou que já foram gravadas composições de Mozart, Vivaldi, Villa Lobos e Piazzolla, mas que existe uma música contemporânea que as orquestras também precisam interpretar. “Gosto muito de falar que a Orquestra Ouro Preto não é apenas uma guardiã do passado. Ela é isso e mais um pouco, que é exatamente a música contemporânea”, completou.

O som de violinos, violas e violoncelos da orquestra estará presente nas apresentações que representam bem o caminho percorrido com a sua marca artística.

“É o quinto ano da gente com uma orquestra como a de Ouro Preto, do interior de Minas, no Vale Festival, em um dos endereços mais famosos do mundo que é a Praia de Copacabana. Eu acho, né?”, afirmou sorrindo, destacando que os concertos fazem parte da série de grandes shows que vêm sendo realizados no Rio depois da pandemia de covid-19.

Rock, pop e brasilidade em Copacabana

Nesta sexta-feira, na abertura às 19h30, a orquestra fará o tributo Lendas do Rock, juntando esse ritmo musical ao pop. “A gente toca Queen, Metallica, Led [Zeppelin], Pink Floyd. É muito legal poder falar um pouco desse ambiente que, de certa forma, inspirou todos nós e o próprio Samuel. É a orquestra fazendo a abertura para ela mesma”, disse o maestro.

A partir das 20h30, será a vez da estreia do concerto especial com Samuel Rosa. É a primeira vez que Samuel Rosa se encontra com a sonoridade dos instrumentos da Orquestra Ouro Preto, em um concerto criado justamente para essa apresentação. Ele trará sucessos conhecidos do grande público, mas também propõe um acompanhamento do trabalho do compositor, com arranjos que revelam novas camadas melódicas e harmônicas das canções.

De acordo com Samuel Rosa, a junção da música erudita com a popular sempre gera bons resultados e é uma experiência muito interessante. “Recebi o convite com muita empolgação. A orquestra já vem fazendo isso há muito tempo e agora chegou a minha vez. Estou bem tranquilo quanto a isso porque o meu repertório tem músicas que aceitam esse tipo de arranjo, inclusive hoje algumas originalmente têm arranjos com cordas.”

Oficina do Núcleo de Apoio a Bandas da Orquestra Ouro Preto (Foto: Orquestra Ouro Preto/Divulgação)

O fato de o concerto ser na Praia de Copacabana também é relevante. “O astral muda, é completamente diferente. Eu já toquei várias vezes na praia, Copacabana inclusive, e é sempre uma ocasião muito especial. Ali, é um show gratuito que as pessoas vão para escutar as músicas de que gostam. Com novos arranjos, é toda uma moldura para ser uma grande noite, sendo o Rio de Janeiro, por si só, já seria legal e ainda estar na companhia da Orquestra Ouro Preto que tem experiência muito grande com música popular”, disse Samuel Rosa.

Segundo o cantor, o público que for e estiver acostumado com a sua música terá a oportunidade de ouvir de maneira diferente, com arranjos mais delicados. “Quando é bem feito como costuma ser com a Orquestra Ouro Preto, é bem legal. Estou indo com a minha banda completa, com naipe de metais. São músicas que escolhi já com a possibilidade de casarem bem com arranjos de orquestra”, adiantou.

A lista de músicas inclui momentos românticos com Dois Rios, Ainda Gosto Dela, Te Ver e Balada do Amor Inabalável; lirismo com Acima do Sol, Canção Noturna e Tarde Vazia; e sucessos dançantes, como Vamos Fugir, Vou Deixar e Lourinha Bombril.

A presença de Samuel, segundo o maestro, é também uma forma de mostrar que a música de Minas não é apenas o Clube da Esquina, composto, entre outros, por Milton Nascimento, Beto Guedes e Lô Borges. Tem ainda a cantora Fernanda Takai, do grupo Pato Fu, e Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest.

“Este ano a gente queria que o primeiro dia tivesse uma cara mineira e entre a constelação de músicos mineiros, há também uma ligação com a história do Samuel. Um disco icônico dele foi gravado em Ouro Preto. Eu estava lá naquele dia, numa Praça Tiradentes lotada”, revelou o maestro Rodrigo Toffolo. O disco era Skank – MTV ao Vivo em Ouro Preto.

Samuel Rosa está animado. “Tenho certeza que vai funcionar. Tendo o Rio e a brisa da praia, vai ser uma das experiências das mais valiosas. Valorizo muito quando tenho a possibilidade de tocar em ambientes que não são os corriqueiros de casas de show ou lugares fechados. Tocar em locais abertos no Rio de Janeiro e na Praia de Copacabana tem outra conotação. O contexto muda muito e me empolga.”

O encontro longevo de Alceu Valença e a orquestra

No sábado, às 20h30, a plateia verá o reencontro da OOP com Alceu Valença, em um espetáculo que já viajou pelo Brasil e Europa, tornando-se uma das parcerias mais antigas da música popular brasileira.

É também mais uma celebração dos 80 anos de Alceu, com ritmos nordestinos em novas camadas musicais para clássicos como La Belle de Jour, Anunciação, Tropicana, Girassol, Como Dois Animais, Dia Branco e Táxi Lunar.

“Tem quase 15 anos que a gente lançou o primeiro concerto com Alceu. Nós inauguramos esse projeto em Copacabana com ele e voltamos agora, agregando a esse show os 80 anos de Alceu. Imagina um poeta maior como Alceu Valença com 80 anos em Copacabana, vamos cantar parabéns ali”, disse Rodrigo Toffolo.

As escolhas das músicas foram do próprio Alceu e ao mesmo tempo é certeza de animação e emoção do público. “O Alceu transforma a gente em pessoas e músicos melhores. Em cada experiência com Alceu, você sai melhor do que entrou. Estar cada minutinho ao lado dele é muito importante. Ele compreende o Brasil profundo como poucas pessoas compreendem. Isso é a alma e essência de Alceu Valença”, ressaltou o maestro.

“Eu adoro tocar com a Orquestra Ouro Preto, em cordas maravilhosas. As pessoas que fazem parte da orquestra têm um astral inigualável, é maravilhoso. Já estivemos em muitos cantos, no Recife, em São Paulo várias vezes, em Brasília, em Belo Horizonte. É uma loucura, muito bom. É um reencontro maravilhoso”, comentou Alceu Valença à Agência Brasil.

“Estar em Copacabana com um colega mineiro, que é o Samuel Rosa, é muito importante, assim como com Alceu Valença, que é um parceiro de longa data”, afirmou o maestro.

Antes do concerto de Alceu, haverá uma apresentação dedicada a um artista bem próximo da formação artística do cantor e compositor de São Bento do Una, Pernambuco. A partir das 19h30, o grupo mineiro subirá ao palco para um concerto em homenagem a Luiz Gonzaga, o Gonzagão, também pernambucano como ele.

“Muito bom. Ele está presente também na minha música. Seu Luiz é uma grande figura, uma coisa maravilhosa”, disse Alceu.

O maestro lembrou que na última apresentação de solo, a ginasta Flávia Saraiva utilizou como trilha musical um trecho da gravação da Orquestra Ouro Preto tocando Gonzagão. “É um patrimônio brasileiro que saiu do campo popular. Luiz Gonzaga hoje está na questão da erudição da música brasileira. É algo de um estrelato diferente. É muito maior do que a gente pode imaginar”, comentou.

Como a orquestra constrói pontes musicais?

O festival, que costuma ser aguardado na temporada anual da orquestra, reforça o propósito de “construir pontes entre repertórios, linguagens, públicos e tempos distintos da música brasileira e mundial”. Com o patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, a OOP consegue levar os seus concertos gratuitos a diversos lugares do país e do exterior.

Para a diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale, Mariana Luz, o festival é uma forma de democratizar o acesso à música de concerto, além de “promover a circulação da cultura para diferentes públicos, fortalecendo o desenvolvimento de territórios e a economia criativa”. A parceria da OOP se estende ao Vale Música, projeto da empresa para a formação musical de crianças e jovens.