Organizações vão denunciar na ONU detenção de príncipe saudita

Organizações vão denunciar na ONU detenção de príncipe saudita

Dois grupos de defesa dos direitos humanos vão denunciar na terça-feira (25) na ONU a detenção “arbitrária” na Arábia Saudita de um príncipe filantropo, com o objetivo de reforçar a pressão internacional por sua libertação, segundo um documento consultado pela AFP.

Salman bin Abdel Aziz, de 37 anos, foi preso em janeiro de 2018 com seu pai. Este príncipe não parecia representar, de acordo com seus partidários, uma ameaça ao herdeiro do trono, o poderoso Mohamed bin Salman (MBS).

O príncipe Aziz, que estudou na Universidade Sorbonne em Paris, foi mantido detido por cerca de um ano na prisão de alta segurança de Al Hai’r, perto de Riade, e depois em uma residência vigiada na capital, de acordo com seus arredores.

Após uma campanha de pressão dos Estados Unidos e vários apelos de políticos europeus para sua libertação, ele foi transferido para outro local de detenção, antes de retornar dois meses depois para a residência de Riade, de acordo com a mesma fonte.

Para aumentar a pressão neste caso, as organizações ALQST, com sede em Londres, e MENA Rights Group, com sede em Genebra, estão se preparando para apresentar uma queixa conjunta ante o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária na terça-feira, em Genebra.

“O príncipe Aziz e seu pai estão detidos há mais de dois anos e meio sem nenhuma acusação”, disse à AFP Ines Osman, diretora da MENA Rights Group. “Sua detenção não tem base legal”, acrescentou.

As autoridades sauditas não responderam ao pedido da AFP de uma reação sobre este caso.

Depois de examinar a denúncia, o grupo de trabalho da ONU emitirá uma “opinião” nos próximos meses, mas o governo saudita não é obrigado a responder.

Salman bin Abdel Aziz está entre os 11 príncipes presos após organizar o que o procurador-geral da Arábia Saudita chamou de protesto em um palácio real em Riad para exigir que o Estado continuasse pagando suas contas de luz e água.

Os príncipes “se recusaram a sair” e foram presos na prisão de Al-Hai’r por “perturbar a paz e a ordem”, declarou o procurador-geral na época.

Para uma pessoa próxima ao príncipe Aziz, foi um “golpe político sujo” e, como explicou à AFP, o príncipe não se importava em pagar tais despesas.

De acordo com a ALQST, “algumas pessoas presentes foram acusadas de participar de reuniões e pactos para depor o príncipe herdeiro e de compartilhar essas ideias com pessoas no exterior, na esperança de que as ajudassem”.

O pai do príncipe Aziz foi preso em sua casa um dia após a prisão de seu filho por ter “falado por telefone com pessoas na Europa”, incluindo um advogado em Paris, de acordo com a ALQST.

Segundo alguns observadores, o que pode ter indignado a corte real foi um encontro entre o príncipe Aziz e o influente membro democrata do Congresso americano Adam Schiff, antes das eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Schiff é um crítico do presidente Donald Trump, um fervoroso defensor do príncipe herdeiro saudita.

Parentes do príncipe Aziz, conhecido por suas atividades filantrópicas, dizem que “nada de político” foi discutido naquela reunião.

A prisão do príncipe Aziz e de seu pai faz parte de uma campanha de repressão realizada pelo príncipe herdeiro, que não só é dirigida contra seus possíveis rivais, mas também atinge pessoas que, a princípio, não eram uma ameaça ao poder.

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