Arcebispo nomeado pelo papa Leão XIV é ordenado na China

Ordenação de Andrea Ding Yang na China representa avanço em controverso tratado de nomeação de bispos

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O padre Andrea Ding Yang foi ordenado arcebispo de Chongqing, na China, em cerimônia realizada nesta terça-feira, 8 de setembro, como parte do controverso acordo entre o país asiático e a Santa Sé. A ordenação marca um passo significativo na delicada relação diplomática entre o Vaticano e Pequim, que busca formalizar a nomeação de líderes religiosos na Igreja Católica chinesa.

  • Ordenação de bispo na China: Padre Andrea Ding Yang se torna arcebispo de Chongqing sob controverso acordo.
  • A nomeação de Ding Yang, feita pelo Papa Leão XIV em 28 de julho, foi aprovada conforme os termos do tratado.
  • O acordo provisório entre Vaticano e Pequim, estabelecido em 2018, visa gerenciar a escolha de bispos na China e garantir a unidade da Igreja.

Com 44 anos, Ding Yang é natural do distrito de Hechuan, em Chongqing. Sua trajetória eclesiástica se deu inteiramente na China, com exceção de um período de estudos em Roma entre 2014 e 2015. A confirmação de sua ordenação episcopal pela Sala de Imprensa do Vaticano sublinha a continuidade do tratado que busca equilibrar a autonomia papal com as exigências do governo chinês.

Qual o histórico do acordo Vaticano-China?

O acordo provisório, assinado em 2018 durante o pontificado de Francisco e subsequentemente renovado, estabelece um mecanismo de consulta para a nomeação de bispos na China. Desde sua implementação, diversas ordenações ocorreram sob suas diretrizes, refletindo a intenção do Vaticano de assegurar a unidade da Igreja e manter o diálogo com as comunidades católicas locais. Para a Santa Sé, o pacto é fundamental para a evangelização na região.

Antes da formalização deste tratado, os bispos na China eram frequentemente escolhidos sem a aprovação da Santa Sé. As relações diplomáticas entre o Vaticano e Pequim foram rompidas em 1951, quando o Vaticano reconheceu a independência de Taiwan, ilha que o governo chinês considera uma “província rebelde”. Esse rompimento gerou uma divisão profunda entre os católicos chineses, que ficaram entre uma conferência de bispos sancionada pelo Partido Comunista e uma Igreja Apostólica Romana clandestina.

Acordo sob escrutínio conservador

Apesar dos avanços na normalização das relações, o tratado tem sido alvo de críticas por parte do clero conservador. A principal preocupação reside no fato de que o acordo não confere à Santa Sé a mesma autonomia na escolha de bispos que ela desfruta em outras nações. Essa assimetria levanta debates sobre a soberania da Igreja e a influência política sobre assuntos religiosos no país asiático.

Da IstoÉ com ANSA