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Guaidó convoca grande mobilização para exigir entrada de ajuda humanitária

Guaidó convoca grande mobilização para exigir entrada de ajuda humanitária

Juan Guaidó (C), chefe do Parlamento venezuelano de maioria opositora, dá declarações à imprensa em Caracas, em 10 de fevereiro de 2019 - AFP

O opositor Juan Guaidó, reconhecido por 50 países como presidente interino de Venezuela, pediu nesta segunda-feira a seus seguidores que realizem uma marcha maciça nesta terça-feira (12) a fim de exigir aos militares que desconheçam a ordem do presidente Nicolás Maduro de impedir a entrada de ajuda humanitária americana.

“Vamos às ruas para uma grande mobilização. Hoje nosso pior inimigo é a desesperança, não é permitido se cansar”, disse Guaidó em um ato ante universitários.

Alimentos e remédios enviados pelos Estados Unidos permanecem desde quinta-feira em um centro de armazenamento na cidade de Cúcuta, na Colômbia, perto da ponte fronteiriça Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com dois contêineres e uma cisterna.

O Brasil aceitou montar no estado de Roraima um centro de armazenamento de ajuda humanitária para a Venezuela, enquanto Guaidó afirmou que o número de voluntários inscritos para colaborar no processo de assistência subiu para 120.000.

Maduro, que nega a existência de uma crise humanitária, considera a ajuda um “show político” e o início de uma intervenção militar dos Estados Unidos.

O presidente venezuelano culpa as sanções americanas pela escassez de alimentos e medicamentos que atinge os cidadãos combinada a uma hiperinflação.

A marcha de terça-feira, que também homenageará os cerca de 40 mortos em distúrbios neste ano, será a terceira convocada por Guaidó depois das de 2 de fevereiro e de 23 de janeiro, quando ele se autoproclamou presidente interino.

“Aqui não há possibilidade de uma guerra civil porque 90% da população quer mudança”, afirmou o líder opositor.

– “Falamos de forma clara com a Força Armada” –

Guaidó disse que, enquanto entra a ajuda americana que está em Cúcuta, entregou nesta segunda-feira a organizações da Igreja cerca de 80.000 suplementos nutricionais para crianças e 4.500 para grávidas, sem dizer onde os obteve.

“Falamos de forma muito clara com a Força Armada, para que se coloque do lado da Constituição, que permita a entrada de ajuda, que não reprima o povo”, afirmou Guaidó.

Embora tenha classificado o envio de ajuda como um “show”, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, anunciou que a Força Armada tem “presença reforçada em toda a fronteira”.

Tentando fissurar a Força Armada, o líder opositor ofereceu anistia aos militares que deixarem de reconhecer Maduro e advertiu-os que impedir a entrada de alimentos e remédios é um “crime contra a humanidade”.

Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram considerar eximir de sanções qualquer militar venezuelano de alto escalão que reconhecer Guaidó.

“Não há sanções que desafiem ou quebrem a dignidade nacional” dos militares, disse Padrino, um dos sancionados, nesta segunda-feira.

O ministro destacou que exercícios militares tiveram início no domingo e serão concluídos na sexta, para enfrentar uma eventual invasão dos Estados Unidos.

Um movimento opositor venezuelano pediu nesta segunda-feira para o legislativo autorizar a entrada de uma “força multinacional” caso o governo insista em bloquear a ajuda.

O governo de Donald Trump, com o qual Maduro rompeu relações por considerar que está por trás de um golpe de Estado, não descarta o uso do exército na Venezuela.

Uma conferência sobre ajuda humanitária será realizada na quinta-feira na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), à qual Guaidó pedirá também apoio para organizar futuras eleições.

– “No olho do furacão” –

Enquanto Maduro tem o apoio da Rússia, Turquia, Irã e China, Guaidó conta com o impulso decisivo dos Estados Unidos e respaldo crescente da América Latina e da União Europeia, ao qual a Itália se somou nesta segunda, pedindo “eleições livres” na Venezuela. Roma, no entanto, ainda não reconhece o opositor como presidente interino.

“A Venezuela está no olho do furacão geopolítico do mundo”, disse Maduro nesta segunda-feira.

Francisco Sucre, representante de Guaidó em Roma, reiterou nesta segunda-feira que não há “condições para a mediação e o diálogo”, após pedir o apoio da Itália e do Vaticano a novas eleições.

“Hoje o tempo está a nosso favor, cada dia é um passo mais perto da democracia”, acrescentou Guaidó.

Sem dar detalhes, a Controladoria do país abriu nesta segunda-feira uma investigação patrimonial de Guaidó porque “supostamente recebeu dinheiro proveniente de instâncias internacionais e nacionais sem nenhum tipo de justificativa”.

“As ameaças de todos os funcionários do governo não nos intimidam”, disse o opositor.