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Opositores da Venezuela pedem mais tempo para reunir assinaturas contra Maduro

Opositores da Venezuela pedem mais tempo para reunir assinaturas contra Maduro

Mulher exibe cartaz que diz 'Quero revogar mandato de Maduro e o CNE me impede', em alusão ao Conselho Nacional Eleitoral venezuelano em frente à sede do CNE, em Caracas, 24 de janeiro de 2022 - AFP

Os promotores do referendo revogatório contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, solicitaram nesta segunda-feira (24) a extensão do prazo para coletar as 4,2 milhões de assinaturas necessárias para ativar o mecanismo, depois que a autoridade eleitoral impôs condições que o inviabilizavam.

“Introduzimos hoje, de maneira formal, um documento que nos permite impugnar ou solicitar a revisão de todo o cronograma eleitoral, somos contra o cronograma eleitoral estabelecido”, disse a jornalistas Nicmer Evans, integrante do Movimento Venezuelano pelo Revogatório (Mover), Nicmer Evans, ao deixar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).


O CNE anunciou na sexta-feira passada a coleta de assinaturas para ativar o referendo revogatório – 20% do eleitorado de cada estado – será realizada na próxima quarta-feira em um prazo de 12 horas em 1.200 seções. Analistas, opositores e inclusive membros da própria instituição destacaram que é inviável realizar o processo nestas condições.

“Nem mesmo a reitora Tania D’Amelio [próxima do chavismo] pôde nos explicar qual é o procedimento de recepção das pessoas, não sabem se são quatro digitais, não sabem se é uma assinatura, se têm que tomar tempo para registrar os dados da cédula de identidade”, informou Evans após se reunir com o diretório.

“Eles mesmos não sabem hoje, a esta hora, como receber as pessoas para poder fazer o registro do pedido de ativação, se eles não sabem é evidente que é contraproducente”, prosseguiu.

O Mover, que ainda não tem o apoio expresso dos demais grandes partidos da oposição, espera uma resposta à sua solicitação “o mais rapidamente possível” e antes da quarta-feira. Caso o dia avance, acrescentou, vão impugnar o processo.

“Uma ação de fato não denota o cumprimento formal do mesmo”, afirmou.

A Constituição prevê que qualquer funcionário eleito pelo voto popular pode ser removido do cargo através de uma revogação, uma vez cumprida metade de seu mandato.

A oposição venezuelana tentou ativar em 2016 um referendo revogatório contra Maduro, mas o processo foi bloqueado pelo CNE e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) depois de uma suposta “fraude” na coleta das assinaturas.

O único revogatório que prosperou foi enfrentado pelo falecido Hugo Chávez em 2004, o qual superou com uma vitória esmagadora.