O opositor cubano José Daniel Ferrer é a favor de que os Estados Unidos realizem em seu país uma operação como a que derrubou o venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, caso o governo comunista da ilha não aceite ceder o poder, segundo declarou à AFP.
“Cubanos continuam morrendo nas prisões e nas ruas de fome, e eles continuam no poder, oprimindo e reprimindo a maior parte da população”, disse o dissidente em uma entrevista na quarta-feira (18).
“Portanto, se for para aplaudir uma ação ao estilo venezuelano, eu vou fazer, como muitíssimos cubanos, com muito prazer”, afirmou.
Ferrer, exiliado em Miami desde outubro, vê com bons olhos as atuais conversas entre o chefe da diplomacia americana e o governo de Havana, anunciadas pelo próprio presidente Donald Trump.
Segundo ele, Washington apenas tenta dar às autoridades cubanas oportunidades de realizar uma transição para a democracia sem ter que recorrer a “ações de caráter mais forte”.
O histórico líder da União Patriótica de Cuba, que passou mais de 13 anos na prisão, não se opõe que Cuba siga um caminho semelhante ao que a Venezuela tomou após a operação militar que tirou Maduro e sua espoca, Cilia Flores, do país.
Na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez, figura do chavismo, assumiu o poder interino e atendeu às exigências mais urgentes de Washington – entre elas o fim da venda de petróleo a Cuba -, no que o governo de Trump apresenta como uma primeira etapa rumo à transição democrática.
“Se for necessário que Cuba atue no estilo venezuelano e que uma figura como Delcy Rodríguez apareça, que os presos políticos sejam libertados imediatamente e que a repressão termine, eu concordaria”, afirma. “Mas teria que haver uma garantia de que estas são medidas necessárias para realização de eleições livres e plurais”.
Em relação ao futuro de Cuba, Ferrer opina que “o regime não aguentará mais de cinco ou seis meses” e aplaude as medidas de pressão exercidas por Washington, incluindo o bloqueio energético que provocou a escassez de combustíveis.
Considera, sim, que estas iniciativas devem ser acompanhadas de uma ajuda, com alimentos, remédios e produtos de uso diário, para os cubanos mais necessitados nesta fase crítica.
O opositor sonha em poder em breve realizar eleições livres em Cuba, mas afirma que o processo “não será simples depois de tantos anos sob ditadura, sem liberdade nem democracia”.
Um dos aspectos que mais o preocupa é a falta de coordenação e as divergências no âmbito da oposição, embora espere que, quando chegar o fim do governo comunista, todos sejam capazes de trabalhar juntos.
“Sou bastante otimista, mas sei que é preciso trabalhar muito duro para que o otimismo acabe se tornando realidade, e não apenas um sonho fantasioso”, diz.
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