Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

SÃO PAULO, 28 JUN (ANSA) – Um grupo de parlamentares de oposição ao governo protocolou nesta terça-feira (28) o requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as denúncias de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Educação (MEC).   

“Há um desejo no Senado de que esse esquema escandaloso que se instalou no Ministério da Educação tenha uma séria investigação”, afirmou o líder da oposição ao governo no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), após entregar o pedido.   

A criação de uma CPI ganhou força após o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e os pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura serem detidos na operação “Acesso Pago”, da Polícia Federal (PF), que investiga corrupção e tráfico de influência dentro da pasta relacionados às verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).   

O ex-ministro foi libertado no dia seguinte, mas as investigações permanecem. Na semana passada, inclusive, uma interceptação telefônica sugeriu que Ribeiro começou a suspeitar que seria alvo da operação da PF depois de receber uma ligação do presidente Jair Bolsonaro.   

“Desde a semana passada, é de conhecimento de todos, em áudio do próprio senhor Milton Ribeiro, de que o presidente da República interveio de forma clara para impedir que a investigação avançasse, em um claro crime, conforme o Código Penal, de obstrução às investigações e de uso de informações privilegiadas”, acrescentou Randolfe.   

De acordo com o líder da oposição no Senado, “não há dúvida de que se instalou uma quadrilha no MEC” e “os indícios são fortes que os esquemas dessa quadrilha chegam ao Palácio do Planalto”.   

“O medo que tem Jair Bolsonaro das declarações de Milton Ribeiro, Gilmar e Arilton, dão conta, inequivocadamente, de que existe indícios de que esse esquema de corrupção tem tentáculos no Palácio do Planalto”, enfatizou Randolfe, que recolheu assinaturas de 31 senadores.   

Agora, para a comissão iniciar os trabalhos, será necessário que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), faça a leitura do documento no plenário – ato que representa uma etapa do rito legislativo para que o pedido possa ser publicado no “Diário Oficial do Senado”. (ANSA)