Oposição italiana critica controles na fronteira com Espanha

Decisão do governo Meloni após entrada de migrantes em Ceuta gera crise diplomática e reações negativas de diversos partidos

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ROMA — A oposição italiana critica neste sábado (8) a decisão do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni de manter controles nas fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha. A medida foi tomada após a entrada de migrantes em Ceuta e é vista como um erro que poderá ter graves consequências diplomáticas e econômicas para o país.

Essa ação, adotada com base nas regras do Espaço Schengen, foi considerada uma “crise diplomática desnecessária” com Madri e uma forma de prejudicar os cidadãos italianos. A tensão escalou depois que a Espanha também impôs controles aos viajantes procedentes da Itália, que durarão até 7 de setembro.

  • A oposição italiana critica os controles de fronteira impostos pelo governo de Giorgia Meloni em reação à chegada de migrantes em Ceuta, gerando tensão com a Espanha.
  • A decisão italiana, baseada nas regras de Schengen, é vista como desproporcional e gerou uma retaliação por parte da Espanha, que também impôs restrições a viajantes italianos.
  • Líderes de partidos como a Aliança Verde e da Esquerda e o Movimento Cinco Estrelas afirmam que a medida é um “efeito bumerangue” e um “erro colossal” com impacto negativo para a Itália.

Nicola Fratoianni, líder da Aliança Verde e da Esquerda (AVS), classificou a decisão italiana como um erro que poderá ter consequências para a nação. “A propaganda cínica do governo Meloni produziu o que era previsível: um efeito bumerangue que os italianos pagarão caro”, afirmou Fratoianni.

De acordo com o líder da AVS, o governo deveria revogar imediatamente a suspensão das regras de livre circulação previstas pelo Acordo de Schengen, classificando a medida como um “erro colossal”.

Críticas à política migratória italiana

O ex-premiê da Itália e líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, também atacou a decisão. Para ele, a medida representa “propaganda estéril de um governo que fracassou nos desembarques e repatriações”.

Conte comparou a postura atual de Giorgia Meloni com a reação do governo italiano diante do aumento dos desembarques de migrantes no país. Segundo ele, nos últimos quatro anos, a Itália registrou cerca de 150 mil desembarques a mais do que a Espanha.

“Quando Meloni se deparou com um número recorde de desembarques, ela escreveu para Ursula von der Leyen, que viajou para Lampedusa e pediu solidariedade de toda a Europa. Quando isso acontece com você, você pede solidariedade europeia; se acontece com a Espanha, você suspende Schengen?”, questionou Giuseppe Conte.

É a crise diplomática desnecessária?

O deputado Angelo Bonelli, da AVS e coporta-voz do Europa Verde, afirmou que “Meloni provocou uma crise com a Espanha — uma crise tão inútil quanto prejudicial — na tentativa de recuperar apoio na Itália”.

Bonelli considerou inaceitável utilizar o cargo de primeira-ministra para fazer propaganda contra a Espanha, país que, segundo ele, sempre demonstrou solidariedade à Itália em momentos de dificuldade.

O parlamentar também questionou a justificativa relacionada aos acontecimentos em Ceuta, enfatizando que o enclave não integra o Espaço Schengen e que os migrantes envolvidos nos episódios não chegaram à Europa por via aérea.

Já a deputada Laura Boldrini, do Partido Democrático (PD), afirmou que a crise se transformou em um “gol contra” para o governo italiano.

De acordo com Boldrini, a decisão de suspender as regras de livre circulação em relação à Espanha foi desproporcional, já que a crise em Ceuta teria sido resolvida em 48 horas, com a maior parte dos migrantes retornando ao Marrocos.

Qual o impacto dos controles na Europa?

Riccardo Magi, secretário do partido Più Europa, classificou a crise como “extremamente grave” e afirmou que ela demonstra os efeitos do nacionalismo sobre a integração europeia.

Para Magi, a decisão italiana representa um “efeito bumerangue” para Giorgia Meloni, que estaria cada vez mais isolada na Europa também no debate sobre a gestão migratória.

O parlamentar destacou ainda que nenhuma das pessoas que entraram ilegalmente pela região de Ceuta teria sido impedida de chegar à Itália, o que, em sua avaliação, torna a manutenção dos controles ainda mais contraditória.

Enquanto Giorgia Meloni e seus ministros ainda não comentaram a decisão espanhola, integrantes da base governista defenderam a manutenção dos controles.

Maurizio Lupi, líder do partido Noi Moderati, afirmou que a Espanha continua sendo “uma grande amiga da Itália”, mas criticou as políticas migratórias do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que teria aberto “as portas para a imigração ilegal — algo que nem a Itália nem a Europa podem aceitar”.

Segundo Lupi, o problema não será resolvido por meio de “chantagem”, mas com uma mudança de política, respeito às diretrizes europeias e atuação conjunta dos países.

O Força Itália, partido do ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, também defendeu a decisão do governo, afirmando que informações provenientes da Espanha indicavam a chegada de pessoas em situação irregular.

De acordo com o partido, cerca de 15 migrantes em situação irregular que viajavam da Espanha para a Itália foram interceptados durante verificações realizadas em cinco aeroportos do norte italiano. Os controles foram estabelecidos após Roma suspender as regras de Schengen para viajantes procedentes da Espanha.

Da IstoÉ com ANSA