Três senadores de oposição ao governo Lula (PT) ouvidos pela IstoÉ divergiram da tese de que o grupo consolidou uma aliança duradoura com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a partir da rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) na última semana.
Na ocasião, o 11º indicado de Lula a uma cadeira na corte teve 34 votos favoráveis e 42 contrários à nomeação no plenário da Casa. Desde então, a avaliação mais difundida é que Alcolumbre articulou e pediu votos contra o advogado-geral da União, aliando-se à oposição pela fragorosa derrota governista.
+O que a rejeição de Messias diz sobre o STF e o futuro das indicações
No dia seguinte, o Senado impôs novo revés à administração petista ao derrubar o veto de Lula ao chamado PL da Dosimetria, projeto que reduz as penas impostas pelo STF aos envolvidos na invasão do 8 de janeiro. Durante a votação, o registro de um abraço entre Alcolumbre e o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) feito pela fotojornalista Gabriela Biló, do jornal Folha de S. Paulo, tornou-se símbolo da suposta aliança.
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Alcolumbre e a oposição
Até então, o presidente do Senado era alvo de fortes cobranças do grupo em especial por recusar-se a pautar o impeachment de ministros do Supremo, prioridade de senadores ligados a Jair Bolsonaro (PL). Só contra Alexandre de Moraes, relator do processo que levou o ex-presidente à prisão, mais de 40 foram protocolados.
Mas o diagnóstico dos parlamentares consultados é que, passada a conjunção que barrou Messias e ressuscitou a dosimetria, a relação volta à casa de antes. Para Eduardo Girão (Novo-CE), que em entrevista à IstoÉ pediu a renúncia de Alcolumbre, a oposição “continuará cobrando” o chefe da Casa a instalar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master e dar andamento ao impeachment de magistrados.
Sob condição de anonimato, outro senador disse à IstoÉ que o grupo “usou Alcolumbre e foi usado por ele” para barrar Messias, mas “isso está longe de uma aliança”. Sua avaliação é que o presidente do Senado associou-se tanto à oposição quanto a integrantes do próprio Supremo, como Flávio Dino e o próprio Moraes, a quem jornais têm atribuído articulação contra o indicado de Lula.
O terceiro parlamentar ouvido afirmou que a rejeição foi um gesto para “todos baixarem a bola”, mas não antecipa outros movimentos. “Ratificamos que temos os votos necessários e poderemos ter muito mais em votações futuras. Há várias mensagens, e quem não entender vai ficar pelo caminho”, disse à IstoÉ.