Uma operação conjunta entre Itália e Brasil, batizada de “Eredità” (“Herança”), desarticulou nesta quinta-feira (17) uma vasta rede suspeita de tráfico internacional de cocaína. A ação, que envolveu autoridades de ambos os países, mirou criminosos que atuavam na rota da droga entre a América do Sul e a Europa, com passagem pelo porto de Paranaguá, no Paraná. O inquérito resultou no cumprimento de ordens de prisão preventiva e busca e apreensão no Brasil, visando desmantelar a estrutura transnacional que movimentava toneladas de drogas e lucros ilícitos.
- A operação conjunta “Eredità” desarticulou uma rede internacional de tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa.
- Autoridades brasileiras e italianas cumpriram oito ordens de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão no Brasil.
- A investigação revelou um complexo esquema de lavagem de dinheiro e relacionou o grupo a pelo menos 4,6 toneladas de cocaína apreendida.
A frente italiana da investigação é conduzida pelo Ministério Público de Turim, por meio de sua Direção Distrital Antimáfia (DDA), sob a coordenação da Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo. A ação contou com a participação fundamental do ROS (Grupo de Operações Especiais) dos Carabineiros e da Polícia Federal brasileira, demonstrando a robustez da cooperação entre os países.
Segundo os investigadores, o alvo é uma organização criminosa transnacional complexa, formada por indivíduos com laços com o crime organizado italiano e integrantes de facções criminosas do país sul-americano. Essa simbiose criminosa potencializava a capacidade logística e financeira da rede.
A rota do tráfico e as apreensões
As cargas de cocaína tinham como origem a América do Sul, utilizando o porto brasileiro de Paranaguá, no Paraná, como ponto estratégico de escoamento. De lá, a droga era enviada para diversos países europeus, incluindo a Itália, abastecendo o mercado consumidor do continente. A investigação relaciona o grupo a um mínimo de 11 apreensões realizadas entre os anos de 2019 e 2020, que juntas somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína, evidenciando a grandiosidade do esquema.
Entre os carregamentos interceptados, destaca-se uma remessa de aproximadamente 2,2 toneladas. Esta carga ainda permanecia em território brasileiro quando dois integrantes de grupos criminosos italianos de perfil mafioso foram presos em 2019, na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo.
De acordo com as apurações detalhadas, após as prisões iniciais, familiares e pessoas de confiança dos suspeitos teriam assumido o controle das operações no Brasil. Eles mantiveram contato com fornecedores e continuaram a administrar toda a estrutura utilizada para organizar e transportar os carregamentos, demonstrando a resiliência e a capacidade de adaptação da organização criminosa.
Como o dinheiro era lavado?
O inquérito também identificou um engenhoso sistema de transferência e ocultação dos lucros obtidos com o tráfico de drogas, uma prática comum para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos. O dinheiro teria sido movimentado por meio de uma complexa rede de intermediários financeiros, empresas de fachada e investimentos estratégicos no setor imobiliário, além da aquisição de bens de alto valor agregado. Para evitar rastreamento, os integrantes da rede também utilizavam plataformas de comunicação criptografada, dificultando o trabalho das autoridades.
Como parte essencial da operação, foram determinadas medidas patrimoniais rigorosas. Elas incluem a apreensão de imóveis e o bloqueio de ativos financeiros, contas bancárias e diversos investimentos dos envolvidos. O valor total dos bens e recursos atingidos por essas medidas ainda está sendo calculado, mas a expectativa é de cifras milionárias.
Cooperação internacional no combate ao crime
A Operação Eredità é resultado de novos desdobramentos de investigações anteriores, denominadas “Retis” e “Spiderweb”, que já haviam mapeado parte da atuação do crime organizado. A ação integra, ainda, uma ampla cooperação investigativa entre Itália e Brasil, que foi fortalecida por uma equipe de investigação conjunta que atuou entre os anos de 2020 e 2025, estabelecendo um precedente para futuros trabalhos conjuntos.
Além disso, a operação também é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, que foram deflagradas no Brasil e na Itália em dezembro de 2024, evidenciando a continuidade e a interconexão das ações de combate ao tráfico e ao crime organizado transnacional.
Quais os crimes imputados aos investigados?
Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que “Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos identificados no decorrer das investigações”. A IstoÉ reitera seu compromisso em fiscalizar o poder e informar o público sobre o combate a crimes que lesam a sociedade. (ANSA)
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