Economia

Opep completa 60 anos enfraquecida pela queda no consumo de petróleo

Opep completa 60 anos enfraquecida pela queda no consumo de petróleo

(Arquivo) Vista aérea de uma instalação de armazenamento de petróleo bruto em Cushing, Oklahoma, em 5 de maio de 2020 - AFP/Arquivos

A Opep, que celebra seus 60 anos, vive uma das piores crises de sua existência, com fraca demanda de petróleo na esteira da covid-19 e da transição energética, seu monopólio questionado e discórdia entre seus membros.

No entanto, especialistas afirmam que ele ainda não disse sua última palavra.

“As perspectivas para o cartel nunca foram tão desfavoráveis”, disse à AFP Philippe Sébille-Lopez, analista independente e diretor da Géopolia.

Fundada em 14 de setembro de 1960 por iniciativa da Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, a aliança agora tem 13 membros, mais 10 se forem adicionados os signatários do acordo Opep+, que inclui a Rússia.

Esses 23 países respondem por metade da produção mundial petrolífera.

Em março, com os preços caindo à medida que a pandemia se espalhava para fora da China, o cartel e seus aliados não conseguiram chegar a um acordo sobre o rumo a seguir.

Essa falta de ação coordenada levou a uma queda histórica dos preços, com o barril em Nova York chegando a patamares negativos no final de abril.

A Opep+ recuou e decidiu cortar até 20% de sua produção, o que permitiu que os preços se recuperassem para os de cerca de 40 dólares o barril.

Essa ação conjunta demonstrou que o grupo continua a ter um papel de liderança no mercado “que os Estados Unidos não podem assumir, pois as suas empresas são privadas”, afirma Sébille-Lopez.

Ao mesmo tempo, essa política fortaleceu a posição dos Estados Unidos como maior produtor mundial desde o final de 2018, e afetou as finanças de seus membros.

Daí a dificuldade dos membros em respeitar a cota atribuída, tarefa essencial para a credibilidade do cartel, conforme reitera o ministro saudita da Energia, Abdel Aziz bin Salman.

Nigéria e Iraque, muitas vezes não cumprem o acordado.

Além disso, o confinamento e as restrições de viagens na esteira da pandemia de covid-19 minaram o consumo de petróleo, que alguns especialistas dizem que pode nunca retornar ao nível do ano passado.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a demanda por petróleo deve começar a diminuir nos próximos anos, por volta de 2022, em seu cenário compatível com o acordo climático de Paris que visa manter o aquecimento global abaixo de 2°C ou mesmo 1,5°C.

No entanto, “embora a demanda tenha alcançado um pico, é muito provável que o petróleo continue sendo central nos próximos 20 anos”, avalia Carlo Alberto de Casa, analista especializado da Activtrades.

Aos 60 anos, a Opep ainda não disse sua última palavra. O baixo custo de produção dos barris faz a entidade resistir.

Os membros do cartel também possuem algumas das maiores reservas de petróleo do mundo: Venezuela, Arábia Saudita, Irã e Iraque ocupam quatro dos cinco primeiros lugares em termos de reservas mundiais, segundo a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA).

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