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ONU pede “vacina para o povo” enquanto Brasil e México batem recordes de mortos por coronavírus

ONU pede “vacina para o povo” enquanto Brasil e México batem recordes de mortos por coronavírus

Mulher com sintomas do novo coronavírur recebe atendimento da organização Médicos Sem Fronteiras em Manaus, em 3 de junho de 2020 - AFP

Para encerrar a pandemia de coronavírus, é necessária uma “vacina para o povo”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta quinta-feira, enquanto Brasil e México se tornaram os países com mais mortes por COVID-19 no mundo.

A América Latina sofre com o flagelo da pandemia, onde existem cerca de 1,2 milhão de casos e cerca de 57.500 mortes.

O México cruzou o trágico limiar de mil mortes diárias por COVID-19 pela primeira vez, exatamente na semana em que o governo estava se preparando para reativar sua vida econômica e social após mais de dois meses de confinamento.

Nesta quinta-feira, o México registrou 1.092 mortes (11.729 no total) e o Brasil 1.349 (32.548). Teme-se que nos próximos dias o Brasil supere a Itália como o terceiro país com mais mortes no mundo.

“Nada indica que a curva da [mortalidade] diminuirá” no curto prazo no Brasil, disse o presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), Francesco Roca, em declarações à AFP.

Na região da Bahia (nordeste), um toque de recolher noturno está em vigor desde quarta-feira em 19 municípios do sul do estado para impedir a propagação.

O Peru, por sua vez, anunciou que importará oxigênio para uso medicinal em pacientes hospitalizados, dada a escassez existente, e o declarará “um ativo estratégico”.

– Vacina para o povo –

Sem que a crise da saúde esteja encerrada, o mundo inteiro já sofre as consequências econômicas enquanto instituições e governos multiplicam medidas para combater o desastre.

A economia da zona do euro entrará em colapso 8,7% este ano, alertou o Banco Central Europeu, anunciando que dobrará seus programas de ajuda, como a compra de dívida, até pelo menos o ano que vem.

Ao mesmo tempo, governos e organizações como a Unicef se reuniram em Londres para arrecadar fundos para a vacinação geral de 300 milhões de crianças, uma das faixas mais afetadas pela pandemia, pelo fechamento de escolas ou pela falta de cuidados de saúde elementares.

O secretário-geral da ONU aproveitou a oportunidade para afirmar que “uma vacina contra a COVID-19 deve ser vista como um bem público global, uma vacina para o povo”.

Uma verdadeira corrida para alcançar o remédio contra o COVID-19 foi desencadeada entre as principais potências mundiais, laboratórios e multinacionais.

Na reunião de Londres, esses atores se comprometeram a reservar US$ 567 milhões para comprar e distribuir a vacina possível, se houver, principalmente para os países em desenvolvimento.

“Quando tomamos uma vacina, queremos desenvolver imunidade coletiva” e, para isso, devemos garantir que ela seja administrada a “mais de 80% da população mundial”, disse à BBC o magnata e filantropo americano Bill Gates.

Enquanto se aguarda um remédio, continuam as discussões sobre medicamentos que já estão no mercado, como a hidroxicloroquina, usada por décadas para outros fins e que alguns médicos prescrevem para aliviar os efeitos do COVID-19.

A hidroxicloroquina foi desqualificada em um grande estudo mundial com dados de dezenas de milhares de pacientes. No entanto, três dos quatro autores do relatório se retrataram nesta quinta-feira na revista que publicou o relatório, a British Lancet, porque reconheceram que não tinham acesso aos dados primários.

– Vislumbres de normalidade –

Depois de meses de devastação, os países europeus, por sua vez, estão tentando retornar a uma certa normalidade.

Com o turismo na mira, a Áustria reabriu suas fronteiras nesta quinta-feira, exceto com a Itália. A Alemanha encerrará as restrições ao turismo na Europa a partir de 15 de junho.

A cidade espanhola de Sevilha optou pelo recolhimento, com uma missa pelas mais de 27.000 mortes por coronavírus, realizadas na catedral, com o público reduzido devido a medidas de segurança sanitária.

“É um ato solene que expressa um pouco a dor não só de Sevilha, mas da Espanha e do mundo”, disse à AFP José Carlos Carmona, diretor da Orquestra Sinfônica Hispalense e do Coro.

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