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ONU pede que México interrompa tragédia dos desaparecidos, que supera 100 mil vítimas

ONU pede que México interrompa tragédia dos desaparecidos, que supera 100 mil vítimas

Fotos das vítimas expostas na Rotunda dos Desaparecidos, na Cidade do México - AFP

As Nações Unidas e familiares de vítimas pediram com urgência nesta terça-feira que o Estado mexicano faça todos os esforços para interromper a tragédia dos desaparecidos, depois que o país ultrapassou os 100.000 casos.

Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, expressou “profunda tristeza” com o problema e transmitiu sua “solidariedade aos parentes das vítimas, que desejam se reencontrar com seus entes queridos”. O diplomata saúda medidas positivas do governo mexicano e o encoraja a “continuar acelerando os avanços”, informou seu porta-voz.


“Nenhum esforço deve ser poupado para acabar com essas violações de direitos humanos de dimensão extraordinária”, disse em um comunicado Michelle Bachelet, titular do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh).

Bachelet reconheceu que o México deu passos para enfrentar a crise como a criação da Lei Geral de Desaparecimentos e a formação de comissões nacionais de busca, mas insistiu que é preciso redobrar os esforços.

O Comitê das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados (CED) da ONU, que visitou o país em novembro e considera o problema uma “tragédia humana”, se juntou aos chamados de Bachelet.

Em um comunicado, o CED e o Grupo de Trabalho sobre os Desaparecimentos Forçados ou Involuntários da ONU lamentaram que, apesar do trabalho de autoridades, organizações e familiares, esses crimes continuam “ocorrendo diariamente no México como reflexo de um padrão crônico de impunidade”.

O presidente Andrés Manuel López Obrador rechaçou no passado essas acusações.

Segundo o Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas, de 1964 até hoje, é desconhecido o paradeiro de 100.099 pessoas, mas coletivos de busca e ativistas acreditam que o número seja muito maior, uma vez que algumas famílias não fazem denúncias às autoridades por medo e desconfiança.

 

Os desaparecimentos começaram no México com a chamada “guerra suja” das autoridades contra os movimentos revolucionários entre as décadas de 1960 e 1980.

Contudo, o número disparou a partir do ano 2000, com o aumento das atividades dos traficantes de drogas e a guerra declarada pelo ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) contra os cartéis. Desde então, a espiral de violência já provocou 340.000 assassinatos, a maioria ligada ao crime organizado.

Cecilia Flores, líder del colectivo Mães à Procura de Sonora (norte), que luta para encontrar seus filhos Alejandro e Marco Antonio, declarou à AFP que a crise é alimentada pela apatia do Estado.

“Se as autoridades fizessem o seu trabalho, não haveria tantos desaparecidos […]. Para eles, um desaparecido é um criminoso a menos e uma estatística a mais”, frisou.