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ONU: lições do fracasso da luta contra aids podem ajudar no combate à COVID-19

ONU: lições do fracasso da luta contra aids podem ajudar no combate à COVID-19

Diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, em entrevista à AFP em Genebra no dia 3 de julho de 2020 - AFP

Milhões de pessoas morreram de aids por não terem acesso às terapias existentes: é imperativo “tirar as lições desse fracasso” na luta contra a COVID-19 e garantir acesso equitativo a tratamentos futuros, aponta a chefe da Unaids.

“É necessário priorizar a vida, sobre os lucros”, insiste Winnie Byanyima em entrevista à AFP.

A diretora-executiva da agência da ONU, que assumiu o cargo há menos de um ano, recorda com angústia a luta que ela travou há 20 anos em sua terra natal, Uganda, para arrecadar fundos e que uma de suas amigas, afetada pela aids, não conseguiu tratar.

“Na época, os antirretrovirais custavam cerca de US$ 800 por mês. Seu salário mensal era inferior a US$ 100”, diz Byanyima, lembrando que sua amiga às vezes conseguia arrecadar esse dinheiro para um mês de tratamento, mas não para o seguinte.

“Ela morreu seis meses antes do preço do tratamento anual passar de US$ 10.000 para US$ 100”.

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Neste dia em que a Unaids publica seu relatório anual, Byanyima destaca o “enorme progresso” feito nos últimos 40 anos na luta contra o vírus, cujas fatalidades foram reduzidas, de 1,7 milhão em 2004 para 690.000 no ano passado.

Byanyima lamenta, contudo, que o desenvolvimento de terapias e pesquisas em andamento para obter uma vacina tenham sido deixadas para o setor privado, desde o início.

– ‘Vacina do povo’ –

É necessário “tirar as lições da triste experiência da aids. Foram encontrados os medicamentos, mas foram necessários dez anos para que os doentes na África pudessem se beneficiar deles”, explica. “Foram milhões de vidas perdidas”.

Para impedir que isso aconteça novamente na luta contra o novo coronavírus, que já causou mais de 530.000 mortes em todo o mundo, Unaids defende desde o início uma “vacina do povo” e um acesso justo e equitativo aos tratamentos encontrados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma iniciativa em abril para acelerar a pesquisa e a produção de testes, vacinas e tratamentos da COVID-19, e garantir acesso equitativo a eles.

Para a chefe da Unaids, cada país deve ter acesso a tratamentos acessíveis e distribuí-los gratuitamente às pessoas mais vulneráveis.

– ‘Eu primeiro’ –

“Não é possível que os ricos venham, marquem tratamentos e sejam vacinados, enquanto outros morrem enquanto esperam”, diz Byanyima.

Ela fica especialmente alarmada com a política de certos países europeus e dos Estados Unidos em relação ao remdesivir, o primeiro medicamento que demonstrou relativa eficácia no tratamento da COVID-19.

O governo dos EUA anunciou na semana passada que havia comprado 92% de toda a produção de remdesivir do laboratório Gilead, enquanto o Reino Unido e a Alemanha anunciaram que tinham reservas suficientes.

“Não é justo. O vírus afeta a todos. Precisamos ter respostas globais, não uma política de ‘eu primeiro'”, reclama.

A pesquisa sobre vacinas contra a COVID-19, na qual os governos estão investindo bilhões de dólares, ilustra o “fracasso” do modelo antigo que deu lugar a laboratórios privados, Byanyima.

“Se pudéssemos unir o mundo após um novo modelo de desenvolvimento e distribuição de tecnologias em saúde, isso teria um impacto positivo na luta contra a aids e outras doenças”, especialmente aquelas que afetam os países pobres e abandonados pelas empresas farmacêuticas.

Enquanto isso, o foco da pandemia de coronavírus está ameaçando ter repercussões na luta contra a aids.

“Já estamos fora da meta”, adverte Byanyima. Ela explica que a meta de reduzir o número de mortes por aids para menos de 500.000 este ano não será alcançada e que 12,5 milhões dos 38 milhões de infectados continuam sem receber tratamento.

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