O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) inicia nesta quinta-feira (30) o processo de escolha do próximo secretário-geral da organização, em Nova York. O novo nome sucederá o diplomata português António Guterres, cujo mandato de cinco anos se encerra em 31 de dezembro, marcando o início das rodadas de votação informal entre os Estados-membros.
O que aconteceu
- A ONU inicia o processo para a escolha do próximo secretário-geral em Nova York, com a primeira rodada de votações informais.
- Sete candidatos estão na disputa pelo cargo, incluindo Michelle Bachelet e Rafael Grossi, com forte presença latino-americana.
- A América Latina é vista como a região favorita para indicar o próximo ocupante do posto, seguindo o princípio de alternância regional.
Os 15 Estados-membros do órgão realizaram a primeira rodada das “straw polls”, votações informais e secretas que medem o nível de apoio aos sete candidatos à liderança da ONU.
A corrida para suceder Guterres envolve sete nomes, sendo quatro mulheres e três homens, com predominância de representantes latino-americanos. Estão na disputa nomes de peso como a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que confirmou sua permanência na corrida para o cargo. Sua candidatura, inclusive, tem recebido apoio reafirmado do Brasil, mesmo após o recuo do Chile em sua postulação. Outros concorrentes incluem Maria Fernanda Espinosa, do Equador; Rafael Grossi, da Argentina; Rebeca Grynspan, da Costa Rica; Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana; Macky Sall, do Senegal; e Olara Otunnu, de Uganda, que entrou recentemente na competição.
Entre os concorrentes, Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), é considerado o nome de maior projeção internacional, embora ainda não exista um favorito definido no processo.
Como funciona a escolha do secretário-geral da ONU?
A escolha dependerá também da posição dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido –, que possuem poder de veto e, até agora, não revelaram suas preferências.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu o nome do mandatário da Fifa, Gianni Infantino, para ocupar o cargo de secretário-geral da ONU, uma proposta que movimentou os debates em torno da sucessão.
Durante as consultas informais, cada membro do Conselho de Segurança avalia os candidatos de forma anônima, baseado em três opções: “incentivar”, “desencorajar” ou “sem opinião”. O mecanismo permite que candidatos com pouco apoio decidam abandonar a disputa voluntariamente.
Perspectivas e critérios de eleição
Após a definição de um nome de consenso entre os integrantes do Conselho, a indicação será encaminhada à Assembleia Geral da ONU, responsável pela ratificação formal. Tradicionalmente, a escolha do secretário-geral segue um equilíbrio geográfico entre as diferentes regiões do mundo.
Pelo princípio de alternância regional, a América Latina aparece como favorita para indicar o próximo ocupante do cargo desta vez. Há uma semana, antes da primeira votação, seis dos candidatos participaram de audiências públicas organizadas pela Assembleia Geral e de reuniões privadas com integrantes do Conselho de Segurança.
Segundo uma pesquisa informal divulgada pela Bloomberg, Carolyn Rodrigues-Birkett foi apontada como a candidata mais convincente por 49% dos membros consultados da ONU.
Da IstoÉ com ANSA