ONU incita Israel a interromper expansão de assentamentos na Cisjordânia

GENEBRA, 17 MAR (ANSA) – A ONU exortou Israel a interromper imediatamente a expansão de seus assentamentos na Cisjordânia, que levou à expulsão forçada de mais de 36 mil palestinos em um ano, aumentando as preocupações da organização para uma possível “limpeza étnica”.   

De acordo com o novo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que abrange o período de novembro de 2024 a outubro de 2025, “o deslocamento de mais de 36 mil palestinos na Cisjordânia ocupada constitui uma expulsão em massa em uma escala sem precedentes”.   

Juntamente com “o deslocamento generalizado de palestinos na Faixa de Gaza”, o que está ocorre na Cisjordânia “parece indicar uma política israelense voltada à transferência forçada em massa em todo o território ocupado, visando a retirada permanente [do povo palestino], o que levanta preocupações a respeito de uma limpeza étnica”, destacou a ONU.   

O documento também apontou um aumento dos episódios de violência cometidos por colonos israelenses no período analisado, sendo de 1.732 casos contra 1,4 mil registrados anteriormente. De acordo com o relatório, entre as violações contra palestinos na Cisjordânia estão assédio contínuo e intimidação, além da destruição de casas e terras agrícolas.   

As Nações Unidas citaram que a transferência do poderio militar israelense para as autoridades civis, assim como a confiscação de terras palestinas para a expansão de assentamentos e outras políticas e práticas discriminatórias “constituíram um sistema institucionalizado de discriminação, opressão e violência sistemática por parte de Israel contra esse povo, em violação ao direito internacional que proíbe a segregação racial e o apartheid”.   

Diante do cenário, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, incitou Israel a interromper “imediata e completamente” a construção e expansão de assentamentos na Cisjordânia, ao mesmo tempo em que deve desmantelar os existentes e evacuar todos os colonos da localidade, de modo a pôr fim à ocupação das terras palestinas.   

“Turk apela ainda a Israel para que permita o regresso dos palestinos deslocados e cesse todas as práticas de confisco de terras, despejos forçados e demolições de residências”, finalizou o comunicado. (ANSA).