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ONU e autoridade religiosa estudam saída para crise no Iraque

ONU e autoridade religiosa estudam saída para crise no Iraque

Jeanine Hennis-Plasschaert, chefe da missão da ONU no Iraque - AFP

A representante da ONU e o grande aiatolá Ali Sistani, líder religioso e figura chave na política no Iraque, criticaram nesta segunda-feira as autoridades, depois que as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes em mais uma noite violenta.

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No domingo à noite, enquanto o centro de Bagdá parecia um campo de batalha com tiroteios e gás lacrimogêneo, Jeanine Hennis-Plasschaert, chefe da missão de assistência da ONU (Unami), propôs um mapa do caminho para tirar o país de uma crise que, oficialmente, deixou 319 mortos desde 1 de outubro.

Enquanto o plano era apresentado, quatro manifestantes foram mortos por tidos de policiais em Nasiriya (sul). E nesta segunda-feira as forças de segurança continuavam usando balas reais no centro de Bagdá.

Em Najaf, reduto do aiatolá Sistani, a representante da ONU anunciou que o religioso – principal autoridade da maioria xiita no Iraque – aceitou seu mapa do caminho, que prevê, entre outros elementos, a revisão da lei eleitoral.

O grande aiatolá, que nunca fala em público, “se preocupa porque as forças políticas não fazem esforços sérios para concretizar as reformas”, disse Hennis-Plasschaert.

– “Uma mudança total” –

Apesar das palavras da representante da ONU, o grande aiatolá Sistani – a quem se atribui o poder de designar e derrubar primeiros-ministros – não retirou até agora a confiança de Adel Abdel Mahdi, que tem a renúncia exigida pelos manifestantes.

Sistani afirma que defende soluções políticas e pacíficas às reivindicações legítimas dos manifestantes.

Mas isto não é suficiente nas ruas. “Queremos uma mudança total. Não queremos mais este governo, nem o Parlamento, nem os partidos” declarou um manifestante no centro de Bagdá.

O movimento de protesto exigia originalmente empregos e serviços mais eficientes. Agora os manifestantes pedem a renúncia de todos os líderes políticos e uma renovação total do sistema implementado após a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003.

A mobilização também culpa o Irã – grande rival dos Estados Unidos no Iraque -, que é acusado de exercer grande influência no país e de ser o arquiteto do sistema político iraquiano, marcado pelo clientelismo e a corrupção.

Os apelos do grande aiatolá para evitar a violência não surtiram efeito entre as autoridades, dispostas a acabar com as manifestações a qualquer preço.

Desde sábado, a repressão aumentou e 16 pessoas morreram, a maioria em Bagdá.

Neste contexto, muitas vozes no Iraque falam agora de uma “nova república do medo”, em um país que saiu há 16 anos de décadas de ditadura do partido Baath de Saddam Hussein.

Militantes e médicos que apoiam os manifestantes afirmam que são alvos de campanha de detenções, sequestros e intimidações por parte das forças estatais e de grupos armados.

O governo dos Estados Unidos pediu às autoridades iraquianas a convocação de “eleições antecipadas” o fim da violência contra os manifestantes”.

Nesta segunda-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU pretende examinar a situação no Iraque, onde a Anistia Internacional pediu às autoridades que contenham as forças de segurança para “evitar um banho de sangue”.

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