GENEBRA, 13 JAN (ANSA) – O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, disse estar “horrorizado” pela violenta repressão aos protestos contra o regime teocrático dos aiatolás no Irã, que já deixou centenas de mortos entre a população civil.
“O assassinato de manifestantes pacíficos deve parar, e rotular manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”, disse Turk em um comunicado, condenando o “uso de força brutal para reprimir demandas legítimas por mudança”.
“Este ciclo de violência horrível não pode continuar. O povo iraniano e suas reivindicações por justiça, igualdade e equidade devem ser ouvidas”, acrescentou o alto comissário.
A revolta popular foi deflagrada no fim de 2025, motivada pela crise econômica e pela disparada da inflação, mas logo abarcou toda a insatisfação contra um sistema teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido os manifestantes e já ameaçou inclusive bombardear o país persa caso a repressão continue, enquanto líderes ocidentais avaliam que o regime dos aiatolás pode estar em seus momentos derradeiros.
“Quando um regime se mantém no poder apenas com a violência, ele de fato está em seu fim. Acho que estamos assistindo aos últimos dias e às últimas semanas desse regime”, declarou o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante visita à Índia nesta terça-feira (13).
Para aumentar a pressão, Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% contra todos os países que mantiverem relações comerciais com o Irã, medida que pode afetar o Brasil e a China, maior compradora do petróleo iraniano.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Pequim assegurou que o país vai proteger “com determinação seus legítimos direitos e interesses” em Teerã. “A China sempre acreditou que não há vencedores em guerras tarifárias”, ressaltou a chancelaria.
Enquanto isso, segundo a imprensa iraniana, o governo anunciou um novo plano econômico que promete aumentar o poder de compra da população, porém sem dar mais detalhes.
O país é governado desde 1979 por um regime teocrático instaurado pela Revolução Islâmica, que derrubou o autoritário xá Mohammad Reza Pahlavi, que tinha apoio do Ocidente e cujo filho mais velho, Reza Pahlavi, tem incitado as manifestações com a esperança de assumir o poder. (ANSA).