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Ombudsman acusa Executivo de infiltrar vândalos em ato pacífico na Guatemala

Ombudsman acusa Executivo de infiltrar vândalos em ato pacífico na Guatemala

Um manifestante gesticula após incendiar um escritório do prédio do Congresso durante um protesto exigindo a renúncia do presidente Alejandro Giammattei, na Cidade da Guatemala em 21 de novembro de 2020. O vice-presidente da Guatemala, Guillermo Castillo, pediu ao presidente Alejandro Giammattei que renunciassem juntos por “o bem do país”. - AFP

O ombudsman (defensor do povo) da Guatemala, Jordán Rodas, acusou neste domingo (29) o Executivo de infiltrar pessoas violentas para deslegitimar uma maciça manifestação pacífica que exigia a renúncia do presidente Alejandro Giammattei, a quem acusam de encobrir atos de corrupção.

“Rejeito os atos de vandalismo que ocorreram à margem das manifestações convocadas pelos cidadãos”, disse Rodas em um comunicado.

Além disso, ele recomendou que o presidente “se abstenha de utilizar esses métodos de provocação e vandalismo para justificar a perseguição contra jornalistas e defensores dos direitos humanos, e criminalizar a legítima manifestação cidadã”.

No sábado, milhares de guatemaltecos retomaram as manifestações ao se concentrarem na praça em frente à antiga sede do governo na capital para exigir a saída do governante, a quem também responsabilizam de elaborar de forma nebulosa o orçamento do país para 2021, que mais tarde foi anulado.

Depois de horas de protesto pacífico, um grupo de pessoas com os rostos cobertos chegou em um ônibus do serviço público sem passageiros e ateou fogo ao veículo em frente ao Palácio Nacional.


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Nos incidentes ficaram feridos três jornalistas, cinco policiais e três delegados da Procuradoria dos Direitos Humanos.

Antes, Rodas, titular desse órgão, manifestou seu absoluto “repúdio e total condenação aos atos de vandalismo e agressões realizados por um grupo armado contra as pessoas que participaram da manifestação pacífica”.

Também solicitou a Giammattei a destituição do Ministro do Governo (Casa Civil), Gendri Reyes, e do diretor-geral da Polícia, José Tzubán, ao culpá-los diretamente pelos incidentes e por não cumprirem “seu dever de garantir os direitos humanos e a integridade das pessoas que se manifestaram pacificamente, bem como para proteger a propriedade pública e privada”.

O protesto foi realizado enquanto uma missão da OEA está no país desde sexta-feira para analisar a crise política. Nesse mesmo dia se reuniu com o presidente.

Os manifestantes pediram a renúncia de todos os deputados por terem aprovado um orçamento para 2021 que é duramente criticado por não atender os problemas mais urgentes do país, como pobreza, saúde e educação.

Quase 60% dos quase 17 milhões de habitantes do país estão em situação de pobreza.

Também criticam o presidente, médico de profissão, pela má gestão da pandemia de covid-19 e a pouca transparência na administração de mais de 3 bilhões de dólares em empréstimos para enfrentar a pandemia.

As manifestações foram iniciadas em 21 de novembro, quando milhares de guatemaltecos saíram às ruas para pedir a renúncia de Giammattei e um grupo de pessoas incendiou parcialmente a sede do Parlamento, dias depois de os deputados terem aprovado o polêmico orçamento para 2021.

Na quarta-feita, os deputados anularam e arquivaram o orçamento e agora o Executivo deverá mandar um novo projeto para ser apreciado pelo Congresso.

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