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Omã anuncia abertura de embaixada nos Territórios Palestinos

Omã anuncia abertura de embaixada nos Territórios Palestinos

(Arquivo) O sultão de Omã anunciou nesta quarta-feira a intenção de abrir uma embaixada nos Territórios Palestinos, no momento em que acontece a conferência sobre o aspecto econômico de um plano de paz americano que deixa em dúvida a ideia de um futuro Estado palestino - POOL/AFP/Arquivos

O sultão de Omã anunciou nesta quarta-feira (26) a intenção de abrir uma “embaixada” nos Territórios Palestinos, no momento em que acontece a conferência sobre o aspecto econômico de um plano de paz americano que deixa em dúvida a ideia de um futuro Estado palestino.

“Em apoio ao povo palestino, o sultanato de Omã decidiu abrir uma missão diplomática com nível de embaixada no Estado da Palestina”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores no Twitter.

Deste modo, Omã será o primeiro país do Golfo a abrir uma embaixada em Ramallah, um território palestino ocupado por Israel há mais de 50 anos.

Omã não participa da conferência organizada no Bahrein por Jared Kushner, conselheiro e genro do presidente americano, Donald Trump.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores disse que uma missão visitará Ramallah, na Cisjordânia, sede da Autoridade Palestina chefiada por Mahmud Abbas, para preparar a abertura da missão diplomática.

“Saudamos a abertura de embaixadas por aqueles que reconhecem a Palestina como um Estado”, declarou a conselheira de Abbas, Hanane Achraui. Mas, “se isso tiver um preço político, terá ramificações”.

Se a abertura desta embaixada resultar no reconhecimento de Israel pelo sultanato, “será totalmente inaceitável”, disse ela. “(…) Esperamos que a embaixada de Omã sirva apenas aos palestinos”, completou.

Já o embaixador palestino em Omã, Tayseer Farhat, saudou esta “decisão histórica”.

“Este é um passo importante e decisivo, especialmente quando a questão palestina está em uma fase crítica”, disse à AFP. “Representa apoio moral e político”, completou.

O sultanato de Omã preferiu não participar da conferência no Bahrein para apresentar a parte econômica do plano de Jared Kushner, que visa a resolver o conflito entre Israel e palestinos.

A parte política do plano, que é esperado para novembro, após as eleições legislativas israelenses, deve ignorar a ideia de uma resolução do conflito com base em dois Estados, israelense e palestino.

A conferência do Bahrein também é percebida como uma tentativa do governo Trump de aproximar os países árabes e Israel.

Paradoxalmente, o sultanato de Omã tem sido, até agora, um dos poucos países do Golfo a ter contatos avançados com Israel.

Em outubro de 2018, o sultão Qaboos recebeu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Mascate.

Oito meses antes, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Yussef ben Alaui ben Abdallah, foi um dos poucos líderes árabes a visitar a Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islã, em Jerusalém Oriental, setor ocupado e anexado por Israel.

Historicamente, os países árabes fizeram da solução da questão palestina uma condição para a normalização com Israel. Após décadas de hostilidade, porém, sinais de reaproximação surgiram nos últimos meses.

Omã desempenhou o papel de mediador em várias crises. Organizou conversas secretas entre americanos e iranianos que resultaram em um acordo nuclear em 2015. Também fala aos dois lados em conflito no Iêmen. Isso permitiu garantir a libertação de muitos ocidentais que estavam sendo mantidos como reféns pelos insurgentes iemenitas huthis.