Olimpíadas de Inverno custaram mais de 6 bilhões de euros, diz estudo

MILÃO, 4 FEV (ANSA) – Por Sara Bonifazio – Um estudo realizado por uma agência de classificação de risco apontou que as Olimpíadas de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, custarão mais de seis bilhões de euros (R$ 37,1 bilhões). Apesar da soma expressiva, o valor não parece ter surpreendido nem preocupado os analistas.   

A Standard & Poor’s, responsável pelo levantamento, apresentou um número parcial e, sobretudo, incompleto, já que somente em 2032 as obras finais estarão concluídas e o legado de infraestrutura, assim como o impacto social do megaevento esportivo, poderá ser plenamente avaliado.   

Patrocínios e direitos de transmissão televisiva reforçaram os cofres dos organizadores, mas agora será necessário um esforço adicional para impulsionar a venda de ingressos. Os preços dos bilhetes aumentaram, em parte, devido ao choque inflacionário de 2022 e 2023 e a um ambiente macroeconômico desafiador, que inclui o conflito na Ucrânia e a metafórica guerra de tarifas, mas também em razão de diversos projetos adicionais de infraestrutura.   

O plano de construção supera os quatro bilhões de euros, enquanto a Fundação Milano-Cortina, responsável pela organização dos Jogos Olímpicos, deverá gastar pouco menos de dois bilhões de euros para viabilizar a edição de 2026.   

Dados do Ministério da Infraestrutura e Transportes da Itália indicam um investimento total superior a 3,5 bilhões de euros, envolvendo 340 empresas, 98 projetos com caráter permanente, 47 instalações esportivas e 51 projetos de infraestrutura de transportes.   

As contribuições do Comitê Olímpico Internacional (COI), principalmente por meio de direitos de transmissão e programas de patrocínio internacional, cobrem quase 60% dos custos estimados. Além disso, diversos parceiros globais de renome participam do evento, entre eles Coca-Cola, Airbnb, Omega e o conglomerado americano Procter & Gamble (P&G).   

Empresas italianas também integram projetos de infraestrutura, muitos deles voltados ao legado regional, como o investimento de 650 milhões de euros destinado à reforma e modernização de 10 estações das redes ferroviária e rodoviária.   

A meta de arrecadar 500 milhões de euros em patrocínios deve ter sido superada graças à adesão de 54 marcas, divididas em quatro níveis e faixas de valor correspondentes. Entre os parceiros classificados como “premium”, com contribuições que variam de 23 milhões de euros a mais de 30 milhões de euros, estão Enel, Eni, Intesa Sanpaolo, Poste Italiane, Leonardo, Salomon e Stellantis.   

Os organizadores das Olimpíadas de Inverno estimam a presença de cerca de dois milhões de espectadores, além de uma audiência global que pode alcançar até três bilhões de pessoas.   

“Investimos dinheiro, sim, mas o retorno será maior do que o investido”, afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini. (ANSA).