A oferta da Alemanha, França e Reino Unido de prolongar o acordo nuclear com o Irã e evitar a reimposição de sanções em 30 dias “continua sobre a mesa”, disse nesta sexta-feira (29) a embaixadora britânica, Barbara Woodward, na ONU.
Esse grupo de nações europeias, conhecido como E3, ativou na quinta-feira o chamado mecanismo de snapback previsto no acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, que permite reinstaurar as sanções da ONU contra Teerã em caso de descumprimento dos compromissos assumidos.
Esse acordo ficou gravemente enfraquecido quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou o pacto durante seu primeiro mandato (2017-2021) e reimpôs suas próprias sanções. Desde então, Teerã tem descumprido alguns de seus compromissos, em particular o relativo ao enriquecimento de urânio.
Em julho, “oferecemos ao Irã adiar a reimposição se o Irã tomasse medidas específicas para abordar nossas preocupações mais imediatas”, disse Woodward ao lado de seus homólogos alemão e francês antes de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança sobre o tema.
Mas Teerã rejeitou essa oferta, argumentando que os europeus não tinham direito de reimpor as sanções da ONU que haviam sido levantadas há uma década.
“Até hoje, o Irã não mostrou nenhuma indicação de que esteja disposto a cumprir” com as demandas do E3, disse a embaixadora.
“Não está cumprindo com suas obrigações de cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Não voltou a retomar negociações com os Estados Unidos”, acrescentou.
No entanto, ativar o mecanismo de reimposição “não marca o fim da diplomacia. Nossa oferta de extensão continua sobre a mesa”, ressaltou Woodward.
“Incentivamos o Irã a reconsiderar sua posição, alcançar um acordo baseado em nossa oferta e ajudar a criar espaço para uma solução diplomática para esse problema a longo prazo”, acrescentou.
Diferentemente das medidas habituais do Conselho de Segurança, o mecanismo de snapback estipula que as sanções serão reinstauradas após 30 dias, a menos que o Conselho adote uma resolução confirmando que foram levantadas.
O acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano foi assinado em 2015 entre o Irã, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a União Europeia.
O chamado Plano de Ação Integral Conjunto (Paic) previa o controle das atividades nucleares iranianas em troca do levantamento das sanções internacionais contra Teerã.
As atividades nucleares do Irã se intensificaram depois que foram descobertas instalações nucleares secretas no início dos anos 2000.
Os países ocidentais acusam o Irã de buscar adquirir armas nucleares, algo que Teerã nega, defendendo seu direito ao que insiste ser um programa nuclear civil.
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