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OEA se reúne nesta terça para discutir crise na Bolívia

OEA se reúne nesta terça para discutir crise na Bolívia

Polícia patrulha ruas de El Alto, na Bolívia - AFP

A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião especial nesta terça-feira para discutir a crise na Bolívia, sacudida pela renúncia do presidente Evo Morales depois de três semanas de violentos protestos por eleições questionadas.

A sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, que será em 12 de novembro às 15H00 (17H00 em Brasília) na sede da organização, em Washington, foi convocada a pedido de Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, Peru, República Dominicana e Venezuela, informou a OEA.

A Venezuela está representada na OEA por um emissário do líder opositor Juan Guaidó, e não do governo de Nicolás Maduro, aliado de Morales.

A ordem do dia publicada pela presidência do Conselho Permanente, ocupada atualmente pela Guatemala com vice-presidência do Brasil, inclui o informe da “análise de integridade eleitoral” das eleições de 20 de outubro na Bolívia.

As descobertas preliminares dessa auditoria, realizada em acordo com o governo de Morales, descrevem “irregularidades” que recomendam uma nova votação, segundo o informe divulgado no domingo.

“A equipe auditora não pode validar os resultados da presente eleição, de modo que se recomenda outro processo eleitoral. Qualquer futuro processo deverá contar com novas autoridades eleitorais para poder realizar eleições confiáveis”, destacou o texto.

Horas antes de sua renúncia no domingo, Morales havia convocado novas eleições. Sua renúncia, pressionado por militares, policias e pela oposição, que exigiram que ele deixasse o cargo que ocupava desde 2006 com o objetivo de pacificar o país, foi denunciada como um “golpe de Estado” por governos de esquerda da América Latina, entre eles México, Cuba, Argentina, Venezuela e Uruguai.

O México, que anunciou nesta segunda-feira que solicitaria uma “reunião urgente” da OEA para tratar da situação na Bolívia, após um pedido da Colômbia no domingo, não está entre os países que solicitaram a sessão extraordinária de terça.

O Conselho Permanente da OEA, órgão executivo da organização, reúne todos os países das Américas exceto Cuba, que não é membro ativo do bloco regional.

Nesta segunda-feira, a Secretaria-Geral da OEA, liderada por Luis Almagro, rejeitou “qualquer saída inconstitucional” à crise na Bolívia após a saída de Morales, e urgiu a garantir a realização de novas eleições.

“A Secretaria-Geral chama à pacificação e ao respeito ao Estado de Direito” na Bolívia, disse o órgão central da OEA, em um comunicado.

O gabinete de Almagro pediu ao Poder Legislativo boliviano que se reúna “de forma urgente” para “garantir o funcionamento institucional e nomear novas autoridades eleitorais que garantam um novo processo eleitoral”.

Além disso, chamou ao Poder Judiciário a continuar investigando possíveis delitos vinculados às questionadas eleições de 20 de outubro “até as últimas consequências”.