OCDE aconselha direcionar subsídios da agricultura para o clima e o impacto social

OCDE aconselha direcionar subsídios da agricultura para o clima e o impacto social

Subsídios estatais à agricultura no mundo devem se voltar para a inovação e os serviços com “impacto social”, como clima, meio ambiente e luta contra o desperdício, considera a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em um relatório publicado nesta segunda-feira.

Sempre muito crítica do impacto dos subsídios diretos na produção – apontados como fonte de distorção -, a OCDE recomenda, no seu último relatório, “reorientar o apoio para as melhorias nos serviços públicos que beneficiam os produtores, consumidores e a sociedade em geral”.

Nos 53 países analisados, um total de 445 bilhões de dólares são oferecidos diretamente aos agricultores por ano, segundo o relatório de 500 páginas “Políticas agrícolas: acompanhamento e avaliação 2019”.

“A grande maioria desses subsídios vão diretamente para a produção, mas não afetam as decisões tomadas”, informou à AFP Ken Ash, diretor de comércio e agricultura da OCDE.

Citando “o clima, o uso das terras agrícolas e os recursos aquíferos”, Ash destacou que “menos de 20% da ajuda agrícola é destinada a esses problemas sociais mais amplos”.

A OCDE ainda recomenta “pesar todos os instrumentos econômicos possíveis para alcançar os objetivos no domínio do meio ambiente, a atenuação da mudança climática e a adaptação a ele”.

“Em muitos países, o desempenho ambiental da agricultura avança com menor rapidez e, inclusive, recua desde meados da década de 2000. Os países deveriam investir para superar seus déficits de conhecimento e se apoiar nas tecnologias digitais para alcançá-lo”, recomenda o organismo.