Edição nº2581 13/06 Ver edições anteriores

Obrigado, Felipão

Facto. Portugal está cheio de Brasileiros. E não é só em Lisboa. Nas universidades do Porto, Coimbra e em Évora, as comunidades de estudantes brasileiros são de longe as maiores. Para os filhos da classe média-alta brasileira estudar na Europa ganhou uma nova morada: Portugal. Mas não fosse Felipão, o Brasil ainda não haveria redescoberto Portugal.

Hoje vivem e trabalham em Portugal, homens e mulheres de negócios, empreendedores na área da tecnologia, investidores imobiliários e muitos aposentados que, por um motivo ou outro, acham que o Brasil não é mais o lugar certo para eles.

Apenas uma década atrás os brasileiros em Portugal eram completamente diferentes daqueles que podemos encontrar hoje.

Antes, eram sobretudo gente de classe média-baixa procurando oportunidades numa terra que falava a mesma língua e onde, por isso, a adaptação seria mais fácil. Mesmo quem não tinha tido o privilégio de uma boa educação ainda podia ter esperança numa vida melhor voando para Portugal. Foi há menos de 10 anos que os brasileiros em Portugal eram maioritariamente profissionais sem qualquer qualificação especial, pessoas simples, com poucos recursos e muita coragem. Hoje, esses brasileiros ainda estão lá mas já não são a imagem de marca do Brasil em Portugal. Essa, nos últimos dois anos, mudou radicalmente.

Mas então por que é que, de repente, Portugal surgiu no radar dos Brasileiros com dinheiro? Por que é que agora já não são apenas empregados de mesa ou mulheres capazes de desafiar mães em Bragança, a aterrar no aeroporto internacional Humberto Delgado em Lisboa?

A razão principal é redonda que tem nome de italiano: Luis Felipe Scolari.

O processo de mudança da imagem e da reputação de Portugal no Brasil, e dos portugueses junto dos brasileiros, começou faz tempo, em 2003, ainda antes do chute inicial da Copa da Europa de 2004, mas só teve efeito muito tempo depois.

A atual treinador do Palmeiras falou tanto e tão alto de como foi feliz em Portugal que deixou o Brasil a pensar. Pela primeira em muitas décadas – talvez mais de um século – alguém verdadeiramente famoso e amado no Brasil dava uma imagem muito positiva da “terrinha”.

Scolari falou uma vez: “Gosto de Portugal e me sinto mais português que muitos portugueses“. Essa foi a primeira pedra da transformação que hoje, 15 anos depois, está a mudar para sempre a relação entre Portugal e o Brasil.

Quando o presidente da República Portuguesa, em 2004, distinguiu Scolari com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, pelos serviços relevantes que prestou a Portugal, já estava todo um país agradecendo. Mas poucos suporiam o verdadeiro alcance do seu feito.

Obrigado, Felipão!


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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