Comportamento

Obras mirabolantes

Marcadas pela ousadia e criatividade, surgem em várias partes do mundo construções radicais e (quase) impossíveis. O objetivo é um só: atrair turistas

Crédito: JUSTIN TALLIS

PISCINA FLUTUANTE É possível ir de um prédio a outro pela água. No detalhe, mulher nada a uma altura vertiginosa (Crédito: JUSTIN TALLIS)

JUSTIN TALLIS

A extravagância e o apelo artístico chamam a atenção da humanidade. Ao nos depararmos com criações arquitetonicamente grandiosas que nos enchem de dúvidas e espanto, a vontade imediata é de experimentar, ver de perto, tocar se for possível. Por exemplo, o edifício Lótus em Wujin, na China, além da beleza, o prédio remete à relação que o povo chinês tem com a planta, conforme a tradição budista, inaugurada em 2013, a construção já se tornou um marco cultural da sociedade. Outra obra que mexe com a imaginação das pessoas é a piscina flutuante instalada no edifício Embassy Gardens, de Londres. Essa criação arquitetônica consegue unir raridade com viés de requinte. A piscina foi construída na cobertura ligando dois prédios. Para quem está se refrescando lá em cima, a sensação é de estar flutuando. Por outro lado, para quem está no chão, olhando a uma distancia de 35 metros, equivalente a 10 andares, sobra o desejo de se banhar indo de um edifício a outro nadando. A área de lazer aquática foi denominada sky pool, piscina no céu. Por estar suspensa no alto dos prédios, ela tem uma aparência de leveza, mas a estrutura é toda de acrílico, pesando 50 toneladas e comportando mais 140 mil litros de água. Sua inauguração está marcada para o próximo dia 19 e como os prédios dividem-se em residencial e comercial, a diversão será bastante disputada.

Passarela suspensa

Da mesma forma que a piscina flutuante, a maior passarela suspensa do mundo é carregada de suntuosidade, mas exige mais coragem do que “nadar” no céu londrino. A ponte foi construída encravada entre montanhas no minúsculo município de Arouca, no norte de Portugal. Sua estrutura tem 516 metros de comprimento e fica suspensa 175 metros acima do rio Paiva. A travessia é de aproximadamente 10 minutos, a depender da valentia do visitante. A paisagem serena de montes e vegetação baixa dá uma vaga percepção de que é fácil atravessar de uma extremidade a outra, mas algumas pessoas que estiveram lá na quinta-feira, 30, dia da abertura, tremiam, rezavam ajoelhados, e outros se sentaram e ficaram imóveis, dado a imensidão visual. Apelidada de Arouca 516, a obra custou mais de US$ 2,8 milhões (R$ 15 milhões).

Em um primeiro momento, a construção de obras faraônicas como estas na Europa, China e outros lugares, representa um marco cheio de simbolismo para as cidades. Mais tarde, além de tornarem-se parte representativa da região, transformam-se em sinônimo da localidade e viram um recurso de marketing para atrair mais turistas. “Tem mesmo essa ideia da grandiosidade”, diz Eric Messa, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da FAAP. Ele fala que o plano dessas iniciativas é transformar tanto a piscina londrina, como a ponte portuguesa, em chamarizes para os visitantes. Corrobora com essa ideia Leonardo Trevisan, professor de geoeconomia internacional da ESPM. “Esses empreendimentos salvarão o que for possível economicamente”, diz.

Assim como na Europa, a pandemia também derrubou o turismo no Brasil. Em 2020, o setor perdeu mais de R$ 55 bilhões em receitas. Por isso, a abertura do Mirante no Morro da Igreja, em Urubici, na Serra Catarinense, está sendo vital para a região. O local ficou fechado por sete meses, devido ao coronavírus. Inaugurado em 2019, é o principal atrativo ao visitante, que pode admirar a paisagem montanhosa a 1.822 metros de altura. “O passeio dura 15 minutos e é feito especialmente por pessoas que gostam de sentir frio, já que no inverno a temperatura cai abaixo de zero e, às vezes, há neve”, diz Denílson de Oliveira, dono da pousada Cascata Véu de Noiva. Ele conta que quando passa a neblina, dá até para contemplar o litoral. Nesse caso, a exuberância fica por conta da natureza.