Comportamento

Obras devolvidas

Quatro desenhos roubados da Biblioteca Nacional retornam à instituição após perícia confirmar a autenticidade; outras peças podem ter o mesmo destino

Após a perícia, as obras foram devolvidas à Biblioteca Nacional (Crédito:Antonio Scorza / Agência O Globo)

Um dos grandes escândalos envolvendo obras de arte roubadas no Brasil começa a se resolver. A Polícia Federal anunciou a devolução de quatro peças que faziam parte da Biblioteca Nacional, mas haviam sido subtraídas pelo ladrão de obras de arte Laéssio Rodrigues de Oliveira. São três desenhos de Keller-Leuzinger (1835-1890), pintor e fotógrafo alemão, e uma litogravura de Buvelot (1814-1888) & Moreau (1818-1877), dupla de pintores e fotógrafos franceses, que estavam em posse do Itaú Cultural. Tudo indica que são apenas as primeiras de uma longa lista.

A devolução só foi possível após uma perícia que confirmou a autenticidade das peças. A documentação apresentada pela Biblioteca Nacional facilitou o trabalho, mas todas as obras haviam sofrido alterações para dificultar a identificação. A litogravura de Buvelot & Moreau, por exemplo, originalmente produzida em preto e branco, foi colorida com lápis de cor e sofreu raspagem para que as marcas de sua real propriedade fossem apagadas.

Laéssio confessou os roubos em cartas enviadas aos jornais “O Globo” e “Folha de S.Paulo”. As peças em exposição no Itaú Cultural haviam sido adquiridas por Ruy Souza e Silva, colecionador e ex-marido de Maria Alice Setubal, filha de Olavo Setubal, fundador do banco Itaú. Laéssio afirmou, em entrevista a “O Globo”, que roubou as peças a pedido do colecionador. Souza e Silva nega as acusações, afirmando que comprou as obras na loja Maggs Bros, em Londres. Mas a denúncia gerou um acordo de cooperação entre o Itaú Cultural e a Biblioteca Nacional para que 102 das 2.800 obras do acervo da instituição sejam analisadas por peritos. As quatro peças devolvidas faziam parte de um lote com outros 31 itens cuja análise foi considerada inconclusiva. O próprio Laéssio afirma que entre elas estão preciosidades que ele roubou. A investigação continuará em parceria com o Itaú Cultural. Outras instituições com obras subtraídas também devem procurar o instituto.

Ladrão célebre

Laéssio Rodrigues de Oliveira se orgulha de seus feitos. Sua história já foi contada em um documentário, “Cartas para um ladrão de livros”. Lançado em 2017, foi dirigido por Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini. Na época, ele foi comparado ao Coringa, o principal inimigo do Batman. Agora, o cineasta Mauro Lima, de “Meu Nome não é Johnny”, pretende transformar sua vida em uma obra ficção. Laéssio já foi preso em cinco ocasiões. Na mais recente, encerrada neste ano, ficou um ano e meio atrás das grades.

Ya’akov Sa’ar/GPO via Getty Images

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