BUENOS AIRES, 28 AGO (ANSA) – Uma pintura do artista italiano Vittore Ghislandi (1655-1743), roubada durante a Segunda Guerra Mundial em Amsterdã, na Holanda, foi descoberta na Argentina na casa de um ex-líder nazista, antes de desaparecer novamente.
A obra, “Retrato de uma dama”, que segundo registros do país europeu pertencia à coleção do comerciante e colecionador judeu Jacques Goudstikker, que morreu em 1940 enquanto fugia dos nazistas, foi localizada em um anúncio de imobiliária sobre a venda de um chalé em Mar del Plata pertencente às filhas do ex-oficial nazista Friedrich Gustav Kadgien, morto em 1978.
Após a denúncia, a Polícia Federal realizou buscas no imóvel na última terça-feira (26), mas não encontrou a obra de arte. Ao mesmo tempo, os agentes notaram que a disposição dos móveis tinha mudado de lugar em relação à fotografia divulgada pela imobiliária Robles Casas y Campos.
Para especialistas, “a imagem [do quadro] e suas proporções são tão nítidas que não restam dúvidas de que se trata de uma peça roubada pelos nazistas”.
Quem descobriu a pintura centenária desaparecida do artista italiano foi um jornalista holandês que investigava o destino de obras de arte roubadas. Ao fazer uma busca na web, ele se deparou com o quadro de Ghislandi em um anúncio imobiliário na América do Sul. Apesar de ter ido à Argentina no início de agosto para apurar o caso, o repórter não foi atendido por Patricia Kadgien, filha do ex-oficial nazista que colocou a propriedade à venda.
Antes de migrar para a Argentina, o militar Kadgien vivia na Suíça, onde se tornou especialista em operações de lavagem de dinheiro, com atuações em Buenos Aires e no Rio de Janeiro.
(ANSA).