Artes Visuais

A obra em construção de Wlademir Dias-Pino

O Poema Infinito de Wlademir Dias-Pino/ Museu de Arte do Rio, RJ/ até 10/7

Crédito: Fernando Laszlo

Realizada por iniciativa do grupo concreto paulista, em 1956, a Exposição Nacional de Arte Concreta aproximou artistas e poetas do Rio e de São Paulo. Nas décadas seguintes, boa parte dos participantes ganharam acompanhamento da historiografia da arte e da literatura. Outros, embora tenham seguido trabalhando assiduamente, tiveram pouca circulação no Sudeste e acabaram por não ter a mesma sorte. Este é o caso de Wlademir Dias-Pino, nascido no Rio de Janeiro em 1927, criado em Mato Grosso e ativo até hoje. Em seu projeto de revisar as narrativas da historia da arte, o Museu de Arte do Rio (MAR) apresenta “O Poema Infinito de Wlademir Dias-Pino” a fim de ressaltar sua relevância para o panorama nacional e internacional da arte.

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Fernando Laszlo

Com curadoria de Evandro Salles, a exposição dá conta da rica produção de Dias-Pino reunindo mais de 800 peças entre livros, cartazes, objetos, fotografias, desenhos, vídeos e instalações. A mostra toma como eixo central a produção de quatro poemas – “O Dia da Cidade”, “Ave”, “Solida” e “ Numéricos” – cada um deles iluminando a invenção de um novo sistema poético.

“Numéricos”, por exemplo, estruturou um método de linguagem matemática, que originou seu “poema/processo”, em que a linguagem é compreendida como processo infinito de arranjos entre formas e sentidos. Segundo o curador, o poema/processo, criado nos anos 1960, foi “o mais radical dos movimentos literários de vanguarda”. Mas desde cedo Dias-Pino já atuava com radicalismo. Para romper com os preceitos modernistas ele criou, nos confins do Mato Grosso, em 1940, o movimento intensivista.

Como seus contemporâneos concretistas, Dias-Pino definia as linguagens verbal e visual como elementos indissociáveis na construção da obra de arte. Por isso, atuou como poeta, designer, programador visual e educador. “Estamos diante de uma obra que não possui começo nem fim: ela consiste em um todo em processo”, afirma Salles. Em tempo, a relevância de Dias-Pino está sendo reconhecida também pela Bienal de São Paulo, que convidou-o a integrar sua 32ª edição, com abertura prevista para 10 de setembro.