O vírus é estupido. E a gente?

Na Vila Madalena reina a ilusão de que o mundo continua lindo; nos Jardins há quem acredite que nossa produtividade está até aumentando, em Copacabana se fala que a mortalidade diminuiu porque bandidos, milícias e polícias também estão quarentenados. Uns dizem que só morrem os velhos e que vamos ficar quebrados. Outros dizem que os velhos têm que ser protegidos. Seres humanos de várias idades, com várias verdades.

Mas na verdade, bem na frente do nosso medo, escondida pela nossa estúpida crença estatística, um novo perigo se prepara para atacar — um perigo ainda maior que o Coronavírus, o Rodrigo Maia, o Congresso, o Senado, o Presidente e os governadores todos juntos. Esse perigo se chama pirataria cibernética.

Enquanto as leis e os equívocos se sucedem na política, essa ameaça se levanta. Enquanto ninguém se entende sobre o que é propaganda, incerteza e estupidez na abordagem à pandemia das nossas vidas, essa ameaça também invisível e poderosa ganha força.

Esta semana a conta de Twitter do Digital Space, lugar na internet onde piratas cibernéticos mostram suas proezas, alguém anunciava que tinha tido acesso, e espalhado por aí, uma base de dados da maior universidade do Brasil, a USP de São Paulo. “Agora temos os emails, palavras passe e documentos de mais de 4 mil pessoas!” Falaram os Hackers entusiasmados.

Este que não é um problema novo é desta vez maior que nunca porque agora as empresas têm seus trabalhadores em teletrabalho. Todos o mundo em casa, protegendo-se do vírus, usando suas máquinas pessoais para trabalhar, acedendo remotamente, via internet, aos dados das suas empresas sem qualquer proteção.

Quem trabalha com segurança informática sabe que os sistemas de Bancos, Seguradores e outras grandes empresas que movimentem dinheiro e têm influência social, recebem centenas de milhares de ataques por dia — por isso essas empresas gastam muito dinheiro em sistema de segurança de informação para proteger os seus sistemas.

Mas estando a trabalhar em casa, as pessoas usam o mesmo computador onde seus filhos jogam na internet, baixam filmes piratas, assistem a séries do Netflix e sabe Deus que mais….  Esses computadores são hoje uma porta escancarada para a nova pandemia que vai chegar.

Imagine só que, no lugar de um professor da universidade de São Paulo usando o computador do filho adolescente para acessar seu email, estava um operador de Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto usando a password do trabalho para controlar a temperatura da fusão.

As palavras passe da segurança nacional estão dando sopa nos lares brasileiros e  o mais brando que pode nos acontecer é mesmo não ter whatapp no café da manhã.

 

 


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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