Cultura

O vilão é São Paulo

No romance “O verso do tempo”, Roberto Falzoni narra casos de demência e morte em dois tempos, na cidade repleta de armadilhas

Crédito: Marco Ankosqui

IN LOCO Roberto Falzoni no Centro de São Paulo. “Busquei a identidade paulistana”, diz sobre seu segundo romance (Crédito: Marco Ankosqui)

A origem e a identidade de São Paulo ganharam estudos. Faltava um romance que contasse como tudo aconteceu. O romance “O verso do tempo” (editora Chiado), o segundo da carreira do médico Roberto Falzoni, de 64 anos, preenche o vazio, mas vai além. Em vez de abordar uma história linear ambientada no Pátio do Colégio, o local da fundação pelos jesuítas, o autor perseguiu um caminho tortuoso e bem mais interessante.

Crimes em série

São duas tramas paralelas afastadas no tempo, unidas pela cidade e um objeto que desencadeiam as ações. Em 1986, o jornalista Edmundo conversa com o psiquiatra Laércio sobre os traumas por que passou na ditadura, quando foi torturado e quase se suicidou. Em 1554, o jovem órfão português Nicolau se envolve no roubo de uma relíquia jesuítica. Assassinatos se ocorrem uma e outra época. Entre personagens fictícios e figuras históricas, o leitor é levado a decifrar o mistério. “São Paulo é cenário e protagonista”, diz Falzoni.

Não a cidade estereotipada, mas palco de confusões. Antes dos jesuítas, contava com fazendas que vendiam produtos. “A organização poligâmica não combinava com a família tradicional”, afirma. “Tudo era indígena, até mesmo a língua.” Nos anos 1980, a Pauliceia se revela tanto vilã como tolerante a todo tipo de pessoas não usuais. Falzoni pesquisou documentos, de cartas a atas. “Escrever par mim é se comunicar, inclusive com o passado”, diz.

Tópicos

Roberto Falzoni