Comportamento

O último suspiro do craque

Aos 60 anos, morre Diego Armando Maradona, ídolo na Argentina e em todo o mundo, polêmico dentro e fora dos campos e um dos maiores jogadores da história

Crédito:  Rocío Nakasone
“Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu.” Pelé, ex-jogador de Futebol (Crédito:PATRICK KOVARIK)

Diego Armando Maradona, um dos maiores gênios do futebol mundial, morreu, quarta-feira 25, aos 60 anos de idade. Ele estava em sua casa, na cidade de Tigre, quando teve uma parada cardiorrespiratória. A saúde do craque era precária e há vários anos exigia atenção. Ele se recuperava de uma cirurgia no cérebro, feita em novembro, para retirada de um coágulo, e tentava se livrar do vício em álcool. Não deu tempo. Maradona atuou como meia-atacante e vestia a mística camisa de número 10 com a naturalidade de quem sabia da sua superioridade esportiva. No campo era atleta: rápido, forte, objetivo, mas também era artista: criava, improvisava, fazia malabarismos. Foi um jogador que se apresentava tão bem nos clubes quanto na seleção do seu país. Para o conterrâneo Lionel Messi, jogador do Barcelona, a genialidade de Maradona era gritante. “Ele é o melhor que já existiu”, declarou Messi.

Apaixonado pelo futebol, pelos amigos e pela vida, Maradona foi brilhante. Na vida improvisava tanto quanto nos campos. Poderia ter jogado mais, mas priorizou o prazer e se descuidou da saúde. Entre 1977 e 1990 fez 325 gols, uma média superior a 23 por temporada, meta fantástica para a posição que jogava. Em 1980 chegou a fazer 52 gols.
Na Argentina, o craque era cultuado como um deus. Tem, inclusive, uma igreja, a religião Maradoniana que convocou todos seus fiéis, no dia da sua morte, para um culto no Obelisco, em Buenos Aires. A chamada nas mídias homenageia o craque e diz “agradecer que tenha baixado do céu há 60 anos e para desejar um bom regresso ao local a que pertence”. Embora tenha saído muito jovem da Argentina. Maradona tinha uma identificação com a seleção, uma garra e uma alegria nas entrevistas que o fanático torcedor incorporou ao futebol.

CAMISA 10 Sob o caixão de Maradona foram colocadas as camisas da Seleção Argentina e do Boca Juniors (Crédito:Divulgação)

A vitória contra a Inglaterra em 1986 com dois gols espetaculares do camisa 10 é um dos capítulos mais emocionantes da história do esporte. Maradona carrega a bola antes do meio campo e dribla, sozinho, toda a seleção inglesa, antes de fazer o gol. Em outra jogada, o argentino coloca a mão para cima e antecipa a chegada do goleiro: gol. Milongueiro, Maradona declarou após a partida que o gol foi feito com “as mãos de Deus”. Havia como pano de fundo a Guerra das Ilhas Malvinas, em 1982, vencida pela Inglaterra.

Sensação do clube de futebol Argentino Juniors, onde começou a carreira, Maradona logo se transferiu para o time do coração, o Boca Juniors, numa rápida escala antes de ir para a Europa. Chegou ao Barcelona em 1982 e no ano seguinte já conquistou três títulos. Teve também na cidade espanhola seu primeiro contato com a cocaína. Na época, o grande centro do futebol era a Itália. Maradona foi para o Napoli, na cidade de Nápoles, em 1986. O time não era sensacional, mas Diego sim e se tornou o “rei de Nápoles” conquistando dois campeonatos italianos: 1987 e 1990. O maior rival italiano era o Milan do também camisa 10 Gullit: “Algumas das coisas que ele fez foram inacreditáveis. Ele podia controlar a bola sem olhar”, disse o jogador.

Polêmicas não faltaram na vida do craque. Ele tinha duas tatuagens singulares: o presidente cubano Fidel Castro e o guerrilheiro argentino Che Guevara. Amigo de Fidel, ele visitou por muitas vezes o líder cubano. Em meio a um ambiente tão apegado às regras comerciais, Maradona foi um transgressor. A saída da Copa de 1994 por doping é outro episódio que marcou o fim da carreira do argentino. Os namoros, casamentos e filhos também foram bastante expostos nos noticiários. Mas a real polêmica que continuará sendo discutida é quem foi o melhor do mundo. Maradona ou Pelé? Por aqui no Brasil, Pelé. Na Argentina, Maradona. A rivalidade, no entanto, é uma criação que incentiva divertidas conversas. Daquelas que não podem ter fim. Maradona era um fã do futebol brasileiro, como os brasileiros foram seus fãs. O nosso gênio publicou no Instagram: “Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu”, disse Pelé.


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