Em Cartaz

O último suspiro de David Bowie

Versão brasileira de “Lazarus” retoma estética pós-punk da cenógrafa Daniela Thomas para reviver obra do astro inglês

Crédito: Flavia Canavarro

ESPELHO Carla Salle, Bruna Guerin e Jesuíta Barbosa em cena de “Lazarus”: apresentação ao vivo, com banda (Crédito: Flavia Canavarro)

Quando estreou em Nova York, no fim de 2015, o musical “Lazarus”, de David Bowie e Enda Walsh, a percepção geral era de que marcaria a despedida do astro inglês David Bowie (1947-2016). Isso porque se tratava da revisão das suas grandes canções, até chegar às do último álbum, “Blackstar”, lançado dois dias antes de sua morte. Diálogos, melodias e letras se enlaçam para contar a saga do alienígena Thomas, personagem que Bowie viveu no filme “O homem que caiu na Terra” (1976). O musical foi seu penúltimo trabalho. Fez sucesso, fato que se repete agora com a montagem brasileira. O diretor Felipe Hirsch de 47 anos, usa a forma da ópera, para jogar ao palco móvel os dez atores. O destaque é o pernambucano Jesuíta Barbosa como Thomas. Ele canta enquanto se equilibra. A cenografia, de Daniela Thomas e Felipe Tassara, restaura o estilo pós-punk que fez a fama de Thomas nos anos 1980, sem abrir mão dos recursos tecnológicos de ponta. “A montagem representa um mergulho no meu trabalho passado e em tudo o que Bowie representou para mim”, diz Hirsch. Bowie não poderia ter homenagem mais sincera. Teatro Unimed, São Paulo, até 27/10.

3 êxitos de Hirsch

Divulgação

Peça (2003)
Com a direção do drama “A Morte de um caixeiro viajante” (2003), de Arthur Miller, Hirsch ganhou uma série de prêmios importantes

Ópera (2008)
“O Castelo do Barba Azul” (2008), de Béla Bartók, foi destaque na temporada do Theatro Muncipal de São Paulo

Filme (2009)
“Insolação”, dirigido em parceria com Daniela Thomas, foi selecionado para o Festival de Veneza