Cultura

O último Jedi, por ele próprio

O ator Mark Hamill conta por que ficou preso ao personagem de Luke Skywalker, que ele volta a interpretar no oitavo filme da série “Star Wars”

Crédito: Divulgação

ALIANOS Rey (Daisy Ridley) com Luke Skywalker (Mark Hamill): ator ficou “chocado” ao ler o roteiro (Crédito: Divulgação)

O que realmente aconteceu com Luke Skywalker? É isso que “Star Wars: Os Últimos Jedi” irá esclarecer a partir de 14 de dezembro, quando estreia o novo episódio da saga de ficção científica inaugurada no final dos anos 1970. “Em todos esses anos, os fãs me fizeram sentir como se eu fosse da família”, afirma o ator Mark Hamill, mais uma vez na pele de Luke — agora em exílio no planeta Ahch-To. “As crianças que viram a primeira produção são os adultos que hoje compartilham a experiência com os seus filhos. diz ele.

Assim como todos os envolvidos na nova aventura, o ator californiano de 66 anos não adianta absolutamente nada da trama, revelando apenas que ficou “chocado” ao ler o roteiro. O mistério fez nascer muitas teorias sobre os acontecimentos na vida de Luke, inclusive a de que ele teria cedido ao lado sombrio da Força. Hamill lamenta que o longa-metragem represente a despedida de Carrie Fisher como a Princesa Leia. A atriz morreu em dezembro do ano passado, aos 60 anos, vítima de infarto. “Nós tínhamos brigas épicas, passando um tempo sem falar um com o outro. Ela me chamava de ‘farsa’. Mas nós nos amávamos. Foi uma emoção voltarmos juntos à saga, em ‘Star Wars: O Despertar da Força’ (2015), naquele momento de nossas vidas’’, disse Hamill ao receber o prêmio Disney Legends, na última convenção D23, em Anaheim, na Califórnia. Hamill tinha 26 anos quando foi escolhido por George Lucas para encarnar Luke Skywalker em “Guerra nas Estrelas” (1977).

SIGILO O diretor e roteirista Rian Johnson comanda uma das tomadas do filme: trama mantida sob sigilo por toda a equipe (Crédito: Lucasfilm)

O sucesso imediato não alavancou a sua carreira, por deixá-lo associado demais à saga. Os estúdios não o convidarem para outros papéis e ele trabalhou mais como dublador nos últimos 40 anos, ficando conhecido por emprestar sua voz ao Coringa, nas séries de animação de Batman, para os estúdios Warner.

Pato Donald 

Ao ser resgatado em “O Despertar da Força”, surgiram novas oportunidades para Hamill, como em “Brigsby Bear” (2017), em que ele vive um sequestrador de criança. Em “Con Man”, com lançamento previsto para 2018, o ator foi escolhido para viver o pai de Barry Minkow, um ex-presidiário que virou pastor e voltou a aplicar golpes. “Sou um cara de sorte por ter trabalhado com alguns dos melhores profissionais da indústria”, afirmou Hamill, referindo-se ao diretor George Lucas, ao ator Harrison Ford e ao compositor John Williams. “Ou alguém acredita que ‘Star Wars’ seria tão impactante sem a genialidade da música de John Williams?”

Formado em artes dramáticas no Los Angeles City College, Hamill descobriu cedo a vocação. “De certa forma, foi a Disney que me proporcionou uma espécie de tutorial na minha infância, mostrando como eu poderia tornar os meus sonhos realidade”, contou o ator, que cresceu pulando de uma cidade à outra, por seu pai ser um capitão da Marinha americana. “Eu ainda estava na escola primária quando vi um especial com Clarence Nash dublando o Pato Donald. Graças aos programas que levantavam a cortina, revelando como os desenhos eram feitos, algo despertou no meu cérebro de criança a vontade de fazer o mesmo.
Ali eu comecei a desenhar o caminho que queria seguir. Apesar de fazer uma imitação muito ruim de Donald, descobri ali que queria fazer carreira na indústria do entretenimento.’’

Os guardiões de Star Wars
Como funciona o Lucasfilm Story Group, núcleo que mantém nos trilhos o imaginário da saga espacial

Garantir que todo lançamento da marca Star Wars represente uma continuidade coerente com o mundo criado por George Lucas é a missão da equipe de cerca de dez pessoas do Lucasfilm Story Group, núcleo formado em 2013 para manter a saga nos trilhos. “Somos um grupo de desenvolvimento criativo que trabalha no sentido de expandir a narrativa, descobrindo como será o futuro de Star Wars”, diz Pablo Hidalgo, um dos membros. “Como tudo é ambientado em uma outra galáxia, podemos expandir para qualquer lado, inventando lugares novos”, afirmou Hidalgo. Mas cada história precisa funcionar sozinha, ainda que o espectador conheça as anteriores. “Nós precisamos ter certeza de que tudo está sincronizado. Por isso tratamos Star Wars como se fosse um lugar real, com uma história real.”