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O troco de Trump

O presidente americano faz jogada política para endurecer sua política anti-imigração. Foi sua resposta aos ataques após lançamento de livro e críticas de estrelas do cinema

O troco de Trump

No domingo 20, Donald Trump completa um ano à frente da presidência dos Estados Unidos. Seu primeiro aniversário no comando da Casa Branca será celebrado sob um cenário político interno instável e permeado por críticas dentro e fora de seu país. As polêmicas nas quais ele se meteu em tão curto espaço de tempo deixaram inequívoca uma de suas principais características: Trump não apanha sem dar o troco.

REAÇÃO Trump age para dificultar a entrada de estrangeiros nos EUA

Os últimos quinze dias deixaram isso ainda mais claro. No primeiro final de semana do ano, o líder americano viu-se novamente no centro de um escândalo após o lançamento do livro “Fogo e Fúria: Por dentro da Casa Branca de Trump”, do jornalista Michael Wolff. Na obra, Wolff traça um perfil no qual o presidente aparece como um indivíduo arrogante, infantil e assustado. As informações teriam sido levantadas pelo jornalista com cerca de 200 pessoas próximas a Trump.

O presidente tentou impedir a publicação de “Fogo e Fúria”, o que só aumentou o interesse por seu conteúdo. O livro tornou-se best-seller e o assunto do final de semana no mundo. A fragilidade emocional de Trump sugerida na obra inclusive reaqueceu o debate sobre a sanidade mental do americano, colocada em dúvida por seus críticos mais ferrenhos.

“Fogo e Fúria”: best-seller instantâneo

Outro ponto polêmico foi uma declaração atribuída a Steve Bannon, ex-assessor de Trump, chamando o filho do presidente, Donald Trump Jr., de traidor e antipatriótico. A afirmação teria sido feita em referência à associação de Donald filho a russos durante a campanha. Desde o ano passado, a relação é alvo de investigação pelo FBI e representa, hoje, um dos principais focos da oposição democrata contra o governo republicano. A acusação é a de que Trump teria se vinculado a pessoas do país de Vladimir Putin em busca de informações que prejudicassem a então candidata democrata à presidência, Hillary Clinton.

Ainda havia o impacto das informações contidas no livro quando o ator Robert de Niro, em Nova York, chamou o presidente de “idiota” e “estúpido”. Foi pouco antes de convidar a amiga Meryl Streep ao palco da cerimônia de premiação do National Board of Review Awards, ofertado a representantes do cinema. Meryl levou o prêmio de melhor atriz por “The Post, a Guerra Secreta”. O filme narra os bastidores da cobertura feita pelo jornal The Washington Post sobre documentos mostrando o papel dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-1975). De Niro criticou Trump por sua guerra contra a imprensa e afirmou: “Este maldito idiota é o presidente. O cara é um maldito estúpido.”

“O cara é um maldito estúpido” Robert de Niro, ator

Rigor nas fronteiras

Trump rebateu, e tentou ganhar espaço para sua política anti-imigração. Em negociação com congressistas, ele se mostrou disposto a manter uma lei que permite a permanência no país de 800 mil jovens levados ainda crianças pelos pais para dentro dos EUA de forma ilegal. A lei, uma conquista dos democratas, vale até março. Em troca, o presidente quer apoio para a reforma total das normas de imigração, uma de suas principais bandeiras. Entre as mudanças desejadas por Trump estão maior rigor no controle das fronteiras, o que, segundo o líder americano, inclui a construção do muro na fronteira com o México usando dinheiro público.