O triste fim de um artista

Algumas profissões são muito pouco valorizadas. Garçom, por exemplo.

Há quem acredite que é profissão para qualquer incauto Ingenuidade. Servir a mesa é uma arte, isso sim.

Porque um bom garçom, versado e talentoso, é um psicólogo do estômago.

Não cai em ciladas fáceis como quando o cliente inseguro pergunta:

– O que sai mais aqui, hein amigo?

Garçom bom sabe avaliar o que cada cliente precisa comer, por isso mente na resposta.

Um cliente com cara de esfomeado precisa de um prato leve para evitar um infarto no meio do restaurante, o que espantaria a freguesia.

As três amigas que não param de falar, precisam de uma sobremesa com pouco açúcar. Um sorvete manga, talvez?
Gomes é um desses artistas.

Carioca, aos 14 anos começou lavando pratos num restaurante do Rio de Janeiro.

Aos poucos, galgou novas posições sempre dedicado e atencioso.

Fazia ouvidos de mercador quando os colegas diziam que sua mania de colocar a faca a exatos 8 cm do prato era frescura.

Dobrava guardanapos em cisne, para ódio dos colegas menos competentes.

Não tardou para que seu talento fosse notado pelos empresários do setor.

Veio para São Paulo, onde passou a ser o garçom preferido de celebridades e motivo de inveja de seus pares.

Foi ele quem criou o grupo mais conhecido de garçons no WhatsApp, que hoje conta com os garçons mais importantes do país.

Em seu primeiro mandato, FHC levou o Gomes para Brasília.

Decisão difícil, pois Gomes era um dos mais cotados para o cargo de maître do saudoso Massimo.

Mas, claro, quando a Pátria chama, o filho atende. Gomes não fugiu à luta.

No Palácio do Planalto, serviu a FHC com a dedicação de um soldado.

Lula ele não gostava. Dizia que o presidente comia muito mal e completava com um enigmático “se é que vocês me entendem”.

Dilma ele tratava como uma rainha.

Do Temer ele gostava, porque era um homem que “sabia segurar a faca”.

Quando Bolsonaro foi eleito, Gomes gostou.

A coisa do pão com leite condensado conferia ao presidente um despojamento gastronômico que dialogava bem com a arte de servir a mesa.

Foram meses onde Gomes brilhou, esses últimos.

Conquistou a todos com sua competência, escolhendo, diariamente, os pratos que o primeiro escalão deveria comer.
– Hoje o ministro Paulo Guedes precisa de uma alegria. Me dê aí um mil folhas – ordenava na cozinha.

Quando Teich assumiu, com seu semblante pálido, Gomes interviu.

– Esse precisa de proteína!

E toca uma bela duma fraldinha.

Para a Damares, goiaba de tudo que é jeito. Fruta, doce, compota, até pastel ele inventou.

Já o Weintraub era mais difícil.

Pensou em sugerir que o ministro fechasse a boca por uns tempos, mas não tinha essa liberdade.

Então veio o incidente da fatídica reunião do dia 22.

Gomes servia a mesa com a habitual maestria e justamente quando passava por trás do mandatário, o presidente dispara “…esse estrume do Rio de Janeiro”. Pronto.

Um desafeto pegou bem esse trecho que dava a entender que Bolsonaro falava do Gomes e, pimba, O gabinete do ódio dos garçons entrou em ação e a fake news, em questão de horas estava em todas as redes sociais.

Gomes tentou explicar, mas era tarde demais.

Virou motivo de chacota até no grupo de WhatsApp de onde, inclusive, não está mais.

Só restou pedir demissão, mesmo depois de o próprio Bolsonaro prometer que faria um vídeo explicando que estrume era o governador do Rio e não o Gomes. Triste fim.

Dizem que Gomes agora serve numa lanchonete de beira de estrada em Ceilândia. Mas a verdade é que o governo anotou mais essa dolorosa perda. Talvez a mais grave.

A verborragia do presidente fez mais uma vítima, agora, não vai poder saborear a boa mesa

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