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O trágico destino dos presidentes do Peru

O trágico destino dos presidentes do Peru

O ex-presidente do Peru Martín Vizcarra em Lima, em 6 de julho de 2019 - AFP/Arquivos


Ser presidente do Peru é um desafio que já terminou mal algumas vezes, um histórico que não desmotivou os 18 candidatos que concorrem neste domingo, 11 de abril.

Dos dez líderes desde o fim do regime militar em 1980, apenas Fernando Belaunde Terry (1980-1985) e Valentín Paniagua (oito meses entre 2000 e 2001) ficaram ilesos.

Segue a lista dos que acabaram condenados, julgados e até mortos.

– O suicídio de Alan García –

Líder do partido social-democrata APRA, Alan García deu um tiro na própria cabeça quando estava prestes a ser detido pela polícia em sua casa em Lima, em 17 de abril de 2019. Ele tinha 69 anos.


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Uma ordem de prisão cautelar foi expedida contra ele em uma investigação do Ministério Público sobre um escândalo de contribuições ilegais de campanha e propinas da construtora brasileira Odebrecht, acusações que ele sempre negou.

García governou duas vezes, nos períodos de 1985-1990 e 2006-2011.

– A condenação de Fujimori –

Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000, tirou o país da crise econômica e derrotou a guerrilha.

Em 1992, ele deu um “autogolpe” e dissolveu o Congresso para governar como autocrata, enquanto os policiais cometeram crimes contra civis. Seu braço direito, Vladimiro Montesinos, montou um esquema de espionagem e suborno para silenciar os opositores.

Reeleito duas vezes, mandou sua renúncia por fax do Japão em 2000, em meio ao escândalo das revelações das manobras de Montesinos, que está preso.

Extraditado do Chile em 2007, Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão. O ex-presidente de 82 anos cumpre pena em uma delegacia de polícia.

Ele ficou livre por um ano após um perdão que mais tarde foi anulado.

– Toledo e o pedido de extradição –

Alejandro Toledo (2001-2006) enfrenta um pedido de extradição dos Estados Unidos, após ser acusado de receber 20 milhões de dólares em propina da Odebrecht em troca de contratos de obras públicas.

Aos 75 anos, ele passou sete meses detido nos Estados Unidos, mas foi enviado para prisão domiciliar devido à pandemia enquanto a justiça norte-americana decide se irá extraditá-lo ou não para o Peru. Lima também pediu a extradição de sua esposa, a belga Eliane Karp.

– Humala e sua esposa presos –

Ollanta Humala, que é candidato à presidência nessas eleições, mas sem chances de vitória nas pesquisas, deve ir a julgamento com sua esposa, Nadine Heredia, pelo caso Odebrecht.

Humala, 58 anos, e Nadine, 44 anos, já passaram nove meses em prisão preventiva entre 2017 e 2018 por este caso.

– Kuczynski preso em casa –

Pedro Pablo Kuczysnki renunciou em março de 2018, às vésperas da destituição do Congresso por causa do escândalo da Odebrecht.

Ele sempre negou ter vínculo com a construtora, que acabou revelando que o pagou por consultorias.

O senhor de 82 anos está em prisão domiciliar desde abril de 2019, enquanto o Ministério Público se prepara para levá-lo a julgamento.

– Vizcarra a ponto de ser desabilitado –

Destituído em um julgamento político relâmpago em novembro, Martín Vizcarra (2018-2020) está proibido de sair de Lima sem autorização judicial e o Congresso se prepara para desqualificá-lo de concorrer a cargos públicos por 10 anos.

Além disso, ele é investigado por supostamente ter recebido propina enquanto era governador de Moquegua (sul) e por acusações de ter sido vacinado irregularmente contra a covid-19.

Vizcarra, que governou com níveis recordes de popularidade, é candidato ao Congresso nas eleições gerais de domingo e não está claro o que acontecerá com as ações contra ele, caso se eleja.

– Merino sob investigação –

O deputado Manuel Merino governou por apenas cinco dias, em novembro de 2020.

O Ministério Público o processa pela morte de dois manifestantes, supostamente nas mãos da polícia, durante os protestos após a destituição de Viscarra.

A investigação também atinge o número dois deste breve governo, Ántero López-Aráoz, e o ministro do Interior, Gastón Rodríguez.

Merino, de 59 anos, tem imunidade parlamentar, mas vai perdê-la em 28 de julho, com o final de seu mandato.

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