Em Cartaz

O traço irônico de J. Carlos

O artista carioca marcou a primeira metade do século XX com uma obra cheia de graça e que valorizou o Rio de Janeiro

O traço irônico de J. Carlos

HUMOR Ilustração para a revista semanal “Careta”, de 1941: contraposição de drama e galhofa no cotidiano e na política

A coleção de Eduardo Augusto de Brito e Cunha reúne aproximadamente mil desenhos originais de seu artista preferido, o cartunista J. Carlos — que também foi seu pai. O conjunto artístico foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles, em 2015, em São Paulo, onde está em exposição.

José Carlo de Brito e Cunha, o J. Carlos (1884-1950), entrou para história como o grande designer gráfico e cartunista da República Velha ao fim do Estado Novo. Nasceu no Rio de Janeiro ficou famoso como ícone do art déco brasileiro. Também foi autor de teatro e letrista de samba. Seu trabalho como cronista visual retratou com beleza e elegância o dia a dia da então Cidade Maravilhosa e de sua gente. Seu traço hábil alongou edifícios, paisagens e personagens, como a esguia “Melindrosa”, mulher símbolo da promessa de modernidade que se avizinhava.

As publicações “Tico Tico”, “Fon Fon” e “Careta” são lembradas por sua causa. J. Carlos também foi o primeiro brasileiro a desenhar Mickey Mouse. Chamado pela Disney, preferiu ficar. Mesmo assim, desenhou o papagaio Zé Carioca.

Divulgação

Vida de cartunista

Elegante
Nascido na então capital Rio de Janeiro, atuou por 40 anos. Carregado de ironia, seu traço nunca perdeu a elegância. Graças a este cuidado, reinou absoluto em um Brasil autoritário, mas que almejava a modernidade

Carnaval
Compôs sambas, criou personagens e desenhou o povão em sua maior manifestação

Na Imprensa
Desenhou para as principais revistas: “O Malho”, “O Tico Tico”, “Fon Fon” e “Careta”