Edição nº2577 17/05 Ver edições anteriores

O Tiririca é inglês?

A história do Brexit é mais maluca que o impeachment da Dilma. Os políticos do reino de sua majestade estão mais confusos na hora de sair da Europa que o Tiririca estava na hora de votar a destituição da senhora presidenta. Está uma zona tão grande que, do lado de lá do Atlântico ninguém se lembra de ter assistido a coisa parecida.

Se os brasileiros ficaram achando que deram uma má imagem para o mundo em outubro de 2016, com a transmissão ao vivo e a cores do voto do Congresso que destituiu a presidente estocadora de vento, eles vão se sentir verdadeiros cavalheiros Europeus, olhando para o que acontece agora na Câmara dos Comuns inglesa.

Quando o Reino Unido decidiu sair da União Europeia, o que fez por uma questão tática e não estratégica-  sabe como os políticos são capazes de ser criativos para manterem o emprego,né? – ninguém antecipava uma coisa assim. Nem os mais pessimistas. Hoje todo o mundo se arrependeu.

No caso do DILMEXIT, chamemos-lhe assim, os brasileiros sabiam o que estavam votando: o fim do PT. E era claro quem estava a favor e quem era contra. No caso do BREXIT já ninguém mais sabe o que está querendo e apenas uma coisa está certa: que estão todos contra.

No Brasil se votou SIM ao impeachment com argumentos muito emocionais; religião, família, pátria. Pelo Brasil querido, por Deus amado, pelo senhor Jesus, pelo pai que tudo me ensinou, pela mãe querida, pelo sucesso dos filhos amados, pela mulher que luta contra a morte e os netos que representam o futuro do Brasil, e lá se ouvia falar de corrupção de vez em quando. Pelo NÃO, a argumentação era o respeito pelos resultados eleitorais, a constituição, a democracia. Mas os dados estavam lançados e não havia mais que fazer. O Brasil sairia de Dilma para Temer como sairia depois de Temer para Bolsonaro. Consistência democrática.

Mas na sofisticada Inglaterra, de quem o mundo espera sempre elevação, inteligência e fleuma, hoje reinam juntas, Isabel II e a esculhambação geral. Dia após dia no parlamento os MP’s votam contra sem parar. Contra sair da União Europeia, contra ficar, contra um segundo referendo, contra sair com acordo, contra sair sem acordo, contra a aduana, contra o mercado comum e contra o próprio governo. Uma irresponsabilidade que ninguém consegue explicar.

Em um mundo assim, com Donald Trump na América, Theresa May e Jeremy Corbyn na Europa, o Brasil pode virar referência internacional de consistência politica. Já exportou o Wyllys e agora pode exportar o Tiririca.


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.