O suicídio de uma nação?

O Brasil passa pela crise mais grave da história republicana. Não há nada que se compare ao desastre representado pelo governo Jair Bolsonaro. A crise sanitária avança a cada dia e a tendência é que permaneça por boa parte do ano tendo em vista a dificuldade das autoridades de impor, com eficácia, o isolamento social. O maior aliado do coronavírus é Bolsonaro e suas sucessivas ações e declarações que desmoralizam o protocolo estabelecido pelo próprio Ministério da Saúde. A ampliação do número de infectados e de óbitos, além da extensão no tempo da epidemia, deve deixar um rastro de destruição que vai perdurar por alguns anos, principalmente nas comunidades mais pobres.

À crise sanitária deve ser acrescentada a crise econômica. Seus efeitos devem se estender a 2021. O efeito vai ser devastador levando ao fechamento de milhares de empresas e a uma fabulosa taxa de desemprego. Para piorar, há uma séria crise político-institucional. Bolsonaro faz do ataque às instituições o seu passatempo favorito. E ao afrontar os outros dois poderes estimula seus adeptos a comportamentos que se assemelham às milícias nazi-fascistas.

Além das tensões internas, o governo Bolsonaro patrocina ações externas lesivas ao interesse nacional. Hoje o Brasil é uma espécie de África do Sul na época do Apartheid. Estamos isolados na comunidade internacional. A pecha de país pestilento, onde o chefe do governo age de forma irresponsável, sem paralelo no mundo democrático, já percorre o planeta. Sem exagero, poderá ocorrer de brasileiros terem de passar por uma quarentena ao chegar, por exemplo, a Europa. E nisto estão incluídos não só os turistas, como os empresários.

Pior será se transformarem — e nossos concorrentes estão à espreita — as nossas exportações (do agronegócio, especialmente) em mercadorias que podem estar também contaminadas. Também dificilmente será aprovado o acordo da União Europeia com o Mercosul e a China deve retaliar o Brasil comprando menos e diversificando seus fornecedores de carnes e grãos. No primeiro caso, a Europa está estarrecida com o comportamento de Bolsonaro nos campos sanitário e político; no segundo devido ao xenofobismo anti-chinês de vários membros do governo, a começar pelo Presidente. Só temos uma saída: o impeachment de Bolsonaro. Se ele não consegue comandar o Brasil em plena pandemia, o fará no momento da reconstrução, quando precisaremos, principalmente, de estabilidade política?

A política externa do governo Bolsonaro transformou o Brasil numa espécie de África do Sul, na época do Apartheid

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