Edição nº2539 17/08 Ver edições anteriores

O striptease do Judiciário

A decisão de manter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como preso político, para que ele não dispute e vença com facilidade as eleições presidenciais de 2018, fez com que o Poder Judiciário, que assumiu o poder na forma de ditadura implantada no Brasil, perdesse de vez o pudor. Rasgaram-se todas as fantasias. No domingo 8, no pleno exercício de seus direitos, o desembargador Rogério Favreto atendeu a um pedido de habeas corpus em benefício do ex-presidente Lula. Favreto avaliou que, mantido preso, Lula sofreria um dano irreparável, uma vez que permaneceria impedido de participar de debates políticos.

O que ocorreu desde então foi um verdadeiro striptease institucional. O juiz Sergio Moro interrompeu suas férias, alegando ter sido citado no despacho de Favreto, e decidiu suspender a decisão de um juiz hierarquicamente superior. De acordo com mais de uma centena de juristas, que protocolaram uma reclamação contra Moro no Conselho Nacional de Justiça, ele não tinha poderes nem competência para atuar no caso. Em seguida, o desembargador João Pedro Gebran, do TRF-4, também interrompeu suas férias, avocando para si o caso. Finalizando o roteiro, o presidente da corte, Carlos Eduardo Thompson Flores, cassou a decisão de Favreto, alegando que havia um “conflito de competência” — que todos sabem ser inexistente.
A agressão continuada aos direitos do ex-presidente Lula não parou por aí. No Superior Tribunal de Justiça, a ministra Laurita Vaz cassou o pedido de habeas corpus e diversos pedidos apresentados por cidadãos comuns. Mais do que isso, também questionou os poderes de Favreto para decidir num plantão judicial — esquecendo-se de que ela própria, também num domingo, havia concedido ao médico-estuprador Roger Abdelmassih o direito à prisão domiciliar. Na sequência, a juíza de execução Carolina Lebbos silenciou a voz de Lula, impedindo-o de conceder entrevistas, alegando que ele é “inelegível” — quando quem se manifesta sobre questões do gênero é o Tribunal Superior Eleitoral.

O movimento mais violento, no entanto, partiu da procuradora-geral Raquel Dodge, que pediu abertura de inquérito contra o desembargador Favreto, questionando suas motivações para conceder seu habeas corpus a Lula. O recado de Dodge foi claro e direcionado a todos os juízes do Brasil. Pode ser traduzido da seguinte forma: não ousem conceder qualquer direito ao ex-presidente Lua porque Lula não tem direito algum. Portanto, Lula foi colocado abaixo da lei, porque representa um perigo. A questão a ser respondida é: um perigo para quem? Para todos aqueles que sonham com um Brasil soberano e que tenha direito a preservar suas próprias riquezas, como o petróleo, a Embraer e seu sistema elétrico.

Lula foi colocado abaixo da lei para que prossiga o processo de desmonte da economia nacional

Tópicos

Leonardo Attuch

Mais posts

Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.