Comportamento

O show dos paralímpicos

O que explica o excelente desempenho dos paratletas brasileiros, que têm como meta alcançar o quinto lugar nos Jogos Rio-2016

O show dos paralímpicos

EXIBIÇÃO Quarta-feira 7, abertura da Paralimpíada, no Maracanã: espetáculo de excelência

O que faz com que os atletas paralímpicos brasileiros sejam tão bem-sucedidos? A resposta passa por questões ligadas a investimento, dedicação, planejamento estratégico e a tão decantada capacidade de perseverar dos brasileiros. Pouco antes da Paralimpíada Rio-2016, que teve festa de abertura na quarta-feira 7 e irá até domingo 18, uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado, em parceria com o senador Romário (PSB/RJ), mostrou que 71% dos paratletas do País já foram alvo de preconceito social – e este fato, por incrível que pareça, foi um estímulo para o sucesso no esporte. Outra explicação para esse êxito é dada por Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Segundo o dirigente, a instituição conseguiu criar um modelo de gestão eficiente, que funciona bem desde a identificação do atleta em fase escolar até que ele chegue ao alto rendimento.

BRILHO A americana Purdy durante performance no palco carioca
BRILHO A americana Purdy durante performance no palco carioca

Segundo Parsons afirmou à ISTOÉ, o CPB, as confederações, os patrocinadores e os clubes têm bem definidos o papel de cada um e, dessa forma, é possível construir um ciclo que ele chama de virtuoso. “Conseguimos extrair o que temos de melhor e isso nos dá credibilidade junto aos parceiros. Com mais recursos temos, consequentemente, melhores resultados”, diz o dirigente. “Observe que nossa curva de receitas aumentou, mas não foram grandes saltos. Foi paulatinamente porque vamos entregando os resultados com os quais nos comprometemos.” Maior campeão paralímpico do País, o nadador Daniel Dias, que colecionava, até o fechamento dessa reportagem, 16 medalhas, reconhece a importância do investimento. “O atleta consegue se dedicar mais ao esporte e acaba tendo um desempenho melhor. Esse apoio me dá tranquilidade para focar exclusivamente nos treinos.”

DOURADOS Ricardo de Oliveira, no salto em altura, ganhou o primeiro ouro
DOURADOS Ricardo de Oliveira, no salto em altura, ganhou o primeiro ouro

Gosto pelo desafio

Outro dado apontado é o alto percentual – mais de 90% — de beneficiados pelo programa Bolsa Atleta. Muitas modalidades têm patrocínio da Caixa Econômica Federal, o CPB mantém convênios com o Ministério do Esporte e recebe recursos da Lei Agnelo/Piva, de forma que o movimento financeiro ultrapassa a casa dos R$ 100 milhões anuais. A capacidade de superação, tão repisada quando se fala de paralímpicos, não é, segundo especialistas, significativamente maior que a de outros atletas. É o que afirma o psicanalista Jorge Forbes, diretor da Clínica de Psicanálise do Centro de Genoma Humano da Universidade de São Paulo. “Quando você procurava saber mais sobre um atleta olímpico, acabava sabendo que ele nasceu numa favela e sofreu muito, e quase nada sobre as suas qualidades esportivas”, diz. O enaltecimento à superação tende a diminuir o talento, segundo ele. Mas é uma característica de nossa sociedade transformar obstáculo em desafio. “O brasileiro está acostumado a fazer limonada de limão, como diz o ditado. Não se inibe frente às dificuldades.”

DOURADO Daniel Dias na natação, ganharam o primeiro ouro
DOURADO Daniel Dias na natação, ganharam o primeiro ouro

O presidente da Comissão Brasileira de Desportos para Deficientes Visuais e ex-atleta bicampeão paralímpico de futebol, Sandro Laina, 35 anos, diz que as poucas opções no mercado de trabalho também encaminham pessoas deficientes para o esporte – mas que só isso não seria capaz de levá-las ao topo. “Tem muito planejamento e capacitação, além de uma grande motivação para atingir outros patamares e obter reconhecimento.” A meta do Comitê Paralímpico Brasileiro é ficar em quinto lugar no ranking desses Jogos. Já no primeiro dia de competição, na quinta-feira 8, o paulistano Ricardo de Oliveira animou a torcida e ganhou medalha de ouro no salto em distância na categoria T11 (cego total). Em seguida, Daniel Dias abocanhou seu primeiro ouro nos 200 m livre da categoria S5, prova em que detém o recorde mundial.

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O time Brasil

Número de paratletas da delegação brasileira na Rio- 2016
286

Londres-2012
7º. Lugar

Pequim-2018
9º. Lugar

Atenas-2004
14º. Lugar

Sydney-2000
24º. Lugar

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