A semana

O roubo do Jardim da Primavera

O roubo do Jardim da Primavera
Dr_Chinarro

Enquanto as famílias holandesas dormiam na noite da terça-feira 31, provavelmente com o medo do coronavírus em forma de pesadelo, velhos cadeados eram estourados no Museu Singer Laren, na cidade homônima. Devido à pandemia mundial, as ruas estavam desertas e os seguranças do museu, dispensados. Ladrões aproveitaram-se então dessa situação e roubaram uma obra de arte no valor de cinco milhões de libras (equivalente a cerca de R$ 32 milhões). Trata-se do quadro “Spring Garden”, de Vicent Van Gogh, um dos mais famosos e importantes pintores de todos os tempos. O quadro pertence mesmo ao Museu de Goinger, que o emprestara. Desde o dia 12 de março o Singer Laren está fechado e seus seguranças foram substituídos por arcaicas trancas. Os larápios entraram pela porta principal e também por ela saíram calmamente, levando a pintura, datada de 1884. Quando os policiais chegaram ao local, às três e quinze da madrugada, não encontraram pista alguma — apenas deserto e silêncio. Em meio à perplexidade, restou somente a profunda e justificada irritação do diretor do Singer Laren, que agora faz dupla reza: uma para não contrair o vírus e a outra pedindo que o quadro seja recuperado.

EDUCAÇÃO
Sem aulas presenciais, ENEM não sofre adiamento

Marcos Santos/USP Imagens

Salas de aula sem alunos e recomendações da Organização Mundial da Saúde para que aglomerações sejam evitadas. Nada disso importou para o governo brasileiro que confirmou a realização do ENEM 2020 nas mesmas datas já previstas antes do início da pandemia — entre os dias 1 e 8 de novembro. Não se levou em consideração o fato de as aulas estarem suspensas. As inscrições começam no dia 11 de maio. Há mil vagas para exames digitais, marcados entre os dias 11 e 18 de outubro.

EUA
Trump envia navios de guerra contra a Venezuela

QUARTA-FEIRA 1 Trump anuncia a ação contra Maduro: narcotráfico e Covid-19 servem de pretexto (Crédito:MANDEL NGAN / AFP)
JHONN ZERPA / Venezuelan Presidency / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite da quarta-feira 1 o envio de navios de guerra para o Caribe, com ordem de se posicionarem próximo à Venezuela. A decisão visa combater os cartéis do narcotráfico — uma quantidade crescente de drogas estaria saindo da Colômbia, passando pela Venezuela com o aval do ditador Nicolás Maduro e chegando aos EUA. A medida faz parte do propósito de Trump de promover uma transição no poder venezuelano sem a participação de Madudo e de seu principal adversário político, Juan Guaidó. Em tempos da Covid-19, claro que o vírus não escapou dessa história. Maduro declarou que Trump determinou as manobras para desviar a atenção dos americanos diante da calamitosa situação pandêmica no país. Já Trump disse que Maduro se aproveita da tragédia para incrementar o narcotráfico. Claro que Jair Bolsonaro deu a sua opinião sem que ninguém a pedisse: total apoio a Trump. Maduro precisa, sim, ser tirado do cargo. Mas o Brasil nada tem a ver com isso.

REDES SOCIAIS
O “mesário” Augusto Heleno

Marcello Casal Jr./Agencia Brasil

Jair Bolsonaro e seus “acepipes” são viciados em redes sociais. O ministro do GSI, general Augusto Heleno, caiu no erro da ansiedade cibernética e compartilhou no Twitter o resultado negativo de seu teste para Covid-19. Ele, que positivara, está curado. Mas se esqueceu de um detalhe: o de ocultar no laudo os seus dados pessoais. Internautas fizeram o Brasil gargalhar. Cadastraram Heleno até como “mesário voluntário”. Ele tentou apagar o erro, achando que internet é tipo lápis e borracha. Não é não, general! Uma vez publicado, eternizado.

BRASIL
Quilombos podem perder terras que ocupam há quatro séculos

Divulgação

Os quilombolas do município de Alcântara, no Maranhão, estão ameaçados. Pelo menos oitocentas famílias correm o risco de remoção após resolução tomada pelo governo federal determinando a expulsão e o reassentamento em uma área de doze mil hectares. Detalhe: as trinta comunidades habitam o local desde o século 17. Estão indefesas à espera do desalojamento.

DITADURA
Bolsonaro e a “liberdade” que mata

O capitão Jair Bolsonaro não ia deixar passar em branco, na última semana, o dia 31 de março — data na qual, em 1964, os militares deram um golpe, rasgaram a Constituição e assumiram ditatorialmente o poder. O capitão Bolsonaro referiu-se à terça-feira como sendo o “dia da liberdade”. Da mesma forma que ocorre com todo e qualquer conceito, também o de liberdade permite diversas interpretações. Na visão do presidente, a liberdade implica sequestros, prisões ilegais, torturas e desaparecimentos de corpos daqueles que se opõem a um regime político. Foi tudo isso que ocorreu no País ao longo de 21 anos, a partir do “dia da liberdade” de Jair Bolsonaro.

STUART ANGEL

Divulgação

É bom relembrar para que nunca mais ocorram no Brasil brutalidades como essa: Angel, que lutava contra a ditadura, foi assassinado pela repressão ao ter a boca acoplada ao escapamento de um jipe e ser obrigado a inalar e ingerir a fumaça.