O risco Bolsonaro

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A Covid-19, que já matou cerca de 300 pessoas no Brasil, pode levar à morte até um milhão de pacientes caso o País relaxe as medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades sanitárias. Esse número foi estimado por cientistas ingleses. A conta é simples. Dos 208 milhões de brasileiros, 20% podem contrair o vírus — ou seja, 40 milhões de pessoas. Dessas, a maioria é de idosos e do grupo de risco, com doenças pré-existentes.

O estudo técnico fala em pelos menos 44 mil mortes. O nível da mortandade vai depender de o País seguir o que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e os governadores estão pregando: a manutenção da quarentena. Ao pedir diariamente que o País volte à normalidade, Bolsonaro pode ser responsabilizado por essas milhares de mortes.

Insanidade

Por isso, chega a ser insana a campanha do governo que tem o slogan “O Brasil não pode parar”, gestada no Palácio do Planalto, mas que acabou suspensa por uma liminar da Justiça Federal. Bolsonaro entende que o isolamento levará à recessão, esquecendo-se que o mais importante neste momento é salvar a vida das pessoas, especialmente dos idosos.

Insensatez

Bolsonaro não leva em conta a necessidade de salvar vidas, como fazem todas as autoridades responsáveis. Ele deveria mirar-se no exemplo do prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que reconheceu ter errado feio ao apoiar a campanha “Milão não para”. Sala só recuou depois da morte de 10 mil italianos. Bolsonaro vai continuar na contramão da história?

O brasileiro e o esgoto

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Bolsonaro mostra, a cada dia, que perdeu a sanidade. Na quinta-feira 26, disse que o “brasileiro não pega nada. Você vê o cara pulando no esgoto, mergulha e não acontece nada com ele”. O presidente deveria ter vergonha dessa realidade. O Brasil tem 85 milhões de pessoas sem esgoto e 31 milhões sem água encanada, razão pela qual temos hepatite, cólera, tifo, malária, dengue, diarreia e muita gente morre.

Rápidas

* Nos EUA, o Exército está montando barracas de campanha para virarem leitos hospitalares para a Covid-19. No Brasil, as Forças Armadas não ergueram um único leito de emergência. Afinal, o comandante em chefe do Exército é o presidente, que está vendo a banda passar.

* Enquanto isso, em São Paulo, o governo está construindo tendas para servir de leitos emergenciais no Estádio do Pacaembu e no Anhembi, o que pode fazer uma grande diferença quando não houver UTIs para todos.

* Trump, modelo de Bolsonaro, exige que a GM deixe de produzir carros para fabricar respiradores. Aqui, Bolsonaro quer que as pessoas voltem ao trabalho normal e nada diz sobre fabricação dos equipamentos para salvar vidas.

* O ex-presidente do Banco Central, o economista Armínio Fraga, diz que é falsa a dicotomia entre salvar vidas e preservar os empregos. Sem as pessoas vivas agora, não haverá gente para recuperar a economia depois.

Retrato falado

“Como economista, gostaria de manter a produção, mas como cidadão, quero ficar em casa” (Crédito:Marcos Corrêa/PR)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é outro que desafia Bolsonaro, que tem adotado uma postura equivocada de combater a quarentena, determinada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e pelos governadores. Saindo em socorro a Mandetta, que está ameaçado de perder o cargo, Guedes disse a um grupo de prefeitos da Conferência Nacional de Municípios, por teleconferência, que vai continuar isolado em sua casa. Outro que defende a quarentena é Sergio Moro (Justiça).

Toma lá dá cá

Alessandro Vieira, senador (Crédito: Jefferson Rudy/Ag√™ncia Senado)

O que o senhor achou da ida de Bolsonaro à periferia de Brasília, desrespeitando a orientação do ministro da Saúde?
Foi um ato de absoluta irresponsabilidade, contrário às orientações de saúde do mundo. Ele sempre está na página errada da história.

Ele está cada vez mais isolado da sociedade?
Claramente ele busca um discurso de vítima do sistema, talvez para justificar sua incapacidade gerencial e política, ou pior, para causar uma ruptura que justifique eventual tentativa de autogolpe.

O presidente pode ser responsabilizado se houver grande mortandade no país?
O gestor sempre terá responsabilidade sobre os resultados do seu trabalho. Ao desprezar os técnicos e a ciência, a responsabilidade será maior.

Sobe e desce

Ao confrontar os governadores por conta das medidas de combate ao coronavirus, Bolsonaro acreditava que melhoraria seu desempenho nas mídias sociais, já que ele vinha perdendo seguidores nos últimos tempos. Seu estrategista, o vereador Carlos Bolsonaro, chefe do gabinete do ódio, começou então a bater em João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ), principalmente — os dois que Carluxo acredita que rivalizarão com o pai em 2022. Resultado do embate: segundo pesquisa feita pelo Índice de Popularidade Digital (IPD), Bolsonaro caiu 16,8% nas redes sociais. Já os governadores subiram. Doria cresceu 66,1%, Flávio Dino (Maranhão) subiu 54,9% e Witzel, 39,6%.

Apoio

Esses números demonstram que, embora Bolsonaro continue tendo mais seguidores (69,1 de acordo com o IPD), os governadores estão despertando maior interesse das pessoas. Doria cresceu de 10,55 para 17,52; Dino subiu de 12,74 para 19,73; e Witzel aumentou de 9,76 para 13,62. Bolsonaro chegou a ter 89,1 no IPD.

Todos soltos

Pedro Ladeira

O coronavirus está fazendo bem aos bandidos de colarinho branco. A Justiça mandou para casa vários deles, para reduzir os riscos de contágio nas cadeias. Assim, criminosos como Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara), Marcos Valério (operador do mensalão) e o doleiro Dario Messer estão deixando a prisão. Quando passar a pandemia, eles voltam.

Prêmio 

Até o ladrão dos R$ 51 milhões de recursos públicos, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, está indo cumprir “prisão domiciliar”. Todos eles estão sendo mandados para suas mansões, compradas com dinheiro roubado das estatais durante o governo do PT. A Justiça pensa em destinar a fortuna de Geddel para o combate ao coronavírus. Menos mal.

Maré de azar

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O senador Flávio Bolsonaro, o filho 01, não anda em uma boa fase. Além das encrencas com a Justiça do Rio por causa das tramoias feitas junto com Fabrício Queiroz, agora seu novo motorista pegou a Covid-19. Em tempo: o motorista do seu pai também está internado em estado grave por conta da “gripezinha”.

 

 


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