A semana

O recorde da modernista Tarsila do Amaral

Crédito:  Danilo Verpa/Folhapress

MULTIDÃO A grande estrela foi “Abaporu” (1928): abertura do período antropofágico nas artes plásticas (Crédito: Danilo Verpa/Folhapress)

A mostra “Tarsila Popular”, que estará no Museu de Arte de São Paulo (MASP) até o domingo 28, faz jus ao nome. A exposição, que conta com algumas das obras mais famosas da modernista Tarsila do Amaral, atraiu uma multidão na terça-feira 23, dia em que a entrada foi gratuita. Estão expostos, entre outros quadros, os inigualáveis “Abaporu”, “A Negra” e “Segunda Classe”. A fila de espera foi de mais de cinco horas e, nela, chamava atenção a quantidade de jovens – a demonstrar o interesse da juventude (excelente!) pelo trabalho de uma das mais célebres pintoras do Brasil, e o quanto é importante que em eventos dessa categoria haja ingressos de graça (brasileiro gosta sim de arte, a crise econômica é que a torna às vezes proibitiva). Na própria terça-feira, com a presença de oito mil pessoas (além das trezentos e cinquenta mil que tinham comparecido até o domingo 21), a direção do museu já projetava recorde de público até o encerramento da exposição – a marca anterior era em uma mostra de Monet nos anos 1990, que contou com 400 mil visitantes.

Visita providencial

ELIEZER OLIVEIRA/Futura Press/Folhapress

Após a declaração que pegou mal com os nordestinos, Jair Bolsonaro visitou a Bahia, na terça-feira 23, para a inauguração de um aeroporto em Vitória da Conquista. A fala preconceituosa foi em um café da manhã com a imprenssa, em que ele confidenciou ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que “daqueles governadores de ‘paraíba’, o do Maranhão é o pior deles”, referindo-se a Flávio Dino. Nas festividades na Bahia, o presidente seguiu a cartilha populista.

Foi recebido por muitos fãs, usou chapéu de cangaceiro e declarou: “Somos todos paraíbas!”. Entre os cariocas é normal o uso do termo para se referir pejorativamente aos nordestinos.

AMÉRICA CENTRAL
Após manifestação, Rosselló renuncia em Porto Rico

Marco Bello
Divulgação

O movimento contrário ao governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló (no destaque), chegou ao auge. Na segunda-feira 22, milhares de manifestantes foram às ruas protestar contra o governante, pressionado pelo escândalo do “chatgate”: mensagens de um grupo no Telegram com Rosselló e outros onze governistas foram divulgadas pelo Centro de Jornalismo Investigativo da ilha caribenha. Em meio à pressão popular, Rosselló anunciou na quinta-feira
25 que iria deixar o posto.

Os vazamentos revelaram um comportamento machista do governo, incluindo deboches a Ricky Martin, homossexual assumido e um dos maiores ícones culturais porto-riquenhos. Ele esteve na manifestação agitando uma bandeira do movimento LGBTQ+, e disparou contra o governador em discurso: “você brincou com nossos sentimentos e com a saúde mental do povo!”

SEGURANÇA
Epstein sob ameaça

AFP PHOTO / NEW YORK

O bilionário Jeffrey Epstein (foto) – acusado de abusar sexualmente de dezenas de menores de idade – foi encontrado no chão de sua cela com lesões no pescoço. Ele está preso em Nova York, onde aguarda julgamento. Os hematomas podem ter sido provocados por ele mesmo, em uma tentativa de Suicídio, por outro preso ou agente penitenciário. O presídio é famoso por seu elevado padrão de segurança. já abrigou o traficante “El Chapo”.

SAÚDE
Recall de próteses ligadas a câncer

poplasen

A empresa Allergan ordenou o recall de três tipos de próteses de mama, após decisão da agência reguladora de medicamentos dos EUA. O que motivou os reguladores foi a contagem de 481 casos de câncer no mundo, incluindo 12 mortes, ligadas a esses silicones. Trata-se de um tipo raro de câncer, denominado linfoma anaplástico, caracterizado por um inchaço e acúmulo de líquido ao redor do implante. No Brasil, a Anvisa chegou a proibir a comercialização das próteses em dezembro de 2018 – na mesma época em que foram proibidas na Europa – mas voltou a liberá-las em março desse ano.

AGRICULTURA
Agrotóxicos menos perigosos. Só na teoria

Marcos Alves

A Anvisa aprovou uma resolução que muda os requisitos para que defensivos agrícolas sejam considerados “extremamente tóxicos”, colocando o Brasil no Sistema Global de Classificação Harmonizado. Pelo sistema atual, para que uma substância seja rotulada dessa forma, ela precisa ser letal ou provocar graves irritações na pele e nos olhos. Após a mudança, apenas os fatais serão classificados como os mais arriscados, algo que diminui a quantidade de agrotóxicos “enquadrados” de 800 para menos de 300 tipos.