Internacional

O racismo como motor da eleição

O candidato democrata, Joe Biden, contempla o desejo da maioria dos americanos de colocar fim ao preconceito, anuncia que escolherá uma mulher negra como vice e deixa Donald Trump cada vez mais longe da reeleição

Crédito: JIM WATSON

REALIDADE AMERICANA Trump (foto abaixo.) segue chamando os manifestantes de “terroristas”; Biden (acima) ajoelha-se como quem pede perdão pelo assassinato de Floyd, embora ele nada tenha a ver com o fato: opositores radicais (Crédito: JIM WATSON)

NICHOLAS KAMM / AFP

Ninguém poderá dizer que o covarde assassinato do desempregado George Floyd pelo policial branco Derek Chauvin está sendo usado pelo candidato do Partido Democrata, Joe Biden, como alavanca eleitoral — e até mesmo diversos líderes conservadores republicanos são os primeiros a reconhecer que em Biden há autenticidade e não oportunismo. Biden sempre esteve estreitamente ligado às causas contra o preconceito racial e, ao longo da sua trajetória política, tornou-se uma das principais vozes em defesa dos direitos civis da população negra — haja vista a sua vitória nas primárias da Carolina do Sul, no final de fevereiro, conquistada principalmente devido ao seu prestígio junto às lideranças não brancas. À época, ele ainda era somente uma leve ameaça aos planos de reeleição do presidente dos EUA, Donald Trump. Agora, Biden ultrapassa Trump de braçadas na corrida às eleições presidenciais, marcadas para novembro. É claro que a morte de Floyd e toda a comoção mundial o ajudou. Mais: o democrata tem a convicção de que deve anunciar em sua chapa uma mulher negra como vice.

Na mesma proporção em que as avenidas dos EUA eram tomadas por manifestantes na maior e mais fenomenal mobilização contra o preconceito racial já vista no país e em diversas outras nações, crescia também a distância entre Trump e Biden nas pesquisas de intenção de votos. O candidato do Partido Democrata aproxima-se cada vez mais da Casa Branca. De acordo com o jornal “The Washington Post” e a emissora de tevê “ABC News”, Biden conta com 53% da preferência da população contra 43% do presidente. Antes dos protestos atingirem o ápice, a diferença entre o candidato republicano e o democrata era somente de dois pontos, mas isso já sinalizava que ele poderia disparar. Na quarta-feira 10, a disparada veio: segundo o instituto Gallup, o índice de aprovação de Trump despencou 10 pontos e caiu para 39% (o percentual para reeleição é 50%). Enquanto um anacrônico Trump segue colando às manifestações a pecha de “organizações terroristas” e se coloca como o “homem da lei e da ordem” (ato típico de governantes egocêntricos e autoritários), Biden vai construindo a lógica narrativa de que os protestos são “um chamado para que os EUA despertem”. Trump transpira ideologias preconceituosas, já seu opositor, branco e rico, execra a diversidade racial e de gênero — na atual ebulição do caldeirão social do país, nada é mais eficaz a um candidato. “A hora da Justiça racial e social chegou”. Biden não é um político infantil a acreditar que, se eleito, com meros decretos banirá totalmente da alma americana a herança escravocrata. Mas a maioria da população americana também já está bem adulta na conscientização de que outro “caso George Floyd” desmoronará definitivamente o país numa eventual guerra civil.

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Ainda nas primárias, Biden já havia anunciado que escolheria uma mulher como vice. Agora, ele deixa claro que, além de mulher, a escolhida será negra. E indo de encontro aos costumes, promete anunciar o nome da vice duas semanas antes das convenções, que acontecerão a 17 de agosto, e não quarenta e horas antes. O prestígio do democrata junto a jovens negros, como já foi dito acima, não é de hoje. Logo após Bernie Sanders desistir da sua candidatura — ele era o favorito entre aqueles que defendem a democracia racial —, Biden foi rapidamente escolhido pela nova geração progressista e defensora do bem estar social. E isso até soa óbvio: ao lado de Donald Trump qualquer presidenciável com o mínimo de humanidade torna-se bem colocado ao querer o direito à liberdade para todo e qualquer cidadão. Ainda que tímido e invisível, Biden foi vice do primeiro presidente negro dos EUA, Barack Obama. E ele traz consigo uma abrangência na defesa dos direitos civis que hoje reflorescem nos EUA: não é suficiente ser aliado na luta antirracista, é preciso estar aberto à toda e qualquer diversidade, incluindo o acolhimento de imigrantes. A forte presença de Biden em um país que elegeu Donald Trump pode ser o início do fim do slogan “Make American Great Again”. O mundo democrático assim espera.

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