Entenda o que se sabe sobre o ataque em jantar de Donald Trump com jornalistas

Incidente em Washington D.C. levou à evacuação do presidente e primeira-dama; suspeito é descrito como 'aspirante a assassino'

REUTERS/Jonathan Ernst
Donald Trump durante jantar com jornalistas em Washington Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

No último sábado, 25 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram evacuados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington D.C., após um tiroteio na entrada do evento.

Um suspeito, que tentava invadir o local armado, teria mirado no presidente e em funcionários do governo, conforme relatado pela Casa Branca, embora o Serviço Secreto defenda a eficácia de seu esquema de segurança.

+ Quem é Cole Allen, homem preso por disparar em jantar da Casa Branca

O que aconteceu

  • Um tiroteio em jantar com Trump em Washington D.C. levou à evacuação do presidente e da primeira-dama, após um homem tentar invadir o evento com armas.

  • O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, um engenheiro mecânico, foi detido depois de trocar tiros com agentes de segurança.

  • A Casa Branca e o procurador-geral dos EUA afirmam que Allen visava o presidente e altos funcionários do governo, apesar de não ter havido feridos.

O incidente levou a um cenário de caos, com convidados se escondendo sob as mesas e agentes de segurança mobilizando-se para proteger as autoridades. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas, conforme noticiado no artigo “Jantar com jornalistas termina em caos após tiros e evacuação de Trump”.

Não houve feridos. Mais tarde, Trump descreveu o ocorrido como um ataque de um “aspirante a assassino”. O procurador-geral Todd Blanche declarou à emissora NBC que o suspeito, detido por autoridades americanas, “parece que ele de fato estava mirando gente que trabalha na administração [federal], provavelmente aí incluído o presidente”, corroborando a manchete “Trump e funcionários eram alvos prováveis de atirador, diz procurador-geral dos EUA”.

Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi mais direta ao afirmar que o incidente se tratou de uma tentativa de “assassinar” Trump. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o evento foi “sequestrado por uma pessoa desequilibrada […] que tentou assassinar o presidente e matar o maior número possível de altos funcionários do governo Trump”.

Quem é Cole Tomas Allen, o suspeito?

O suspeito foi identificado pelas autoridades como Cole Tomas Allen, um engenheiro mecânico de 31 anos, morador da Califórnia e mestre em ciência da computação. Ele também desenvolve jogos e é professor em uma empresa que prepara alunos para a universidade. Trump chegou a compartilhar uma foto dele nas redes sociais, imobilizado no chão, de bruços, e algemado.

Segundo Blanche, o suspeito viajou de trem da Califórnia até Washington e fez check-in como hóspede no hotel que sediava o evento. Ele portava, além de uma espingarda, uma arma de cano curto, compradas legalmente, e diversas facas. O homem será conduzido a um juiz na segunda-feira, e responderá a acusações por porte de armas durante crime violento e ataque contra agentes federais.

“Minha impressão é de que ele era um lobo solitário”, disse Trump após o ocorrido. No domingo, o republicano ainda afirmou que Allen escreveu um “manifesto anticristão” antes do incidente. “A irmã ou o irmão dele, na verdade, estavam reclamando disso. Eles chegaram a fazer denúncias às autoridades. Ele era um cara muito perturbado”, afirmou em uma entrevista ao canal Fox News.

Segundo as autoridades, a família do acusado havia alertado a polícia em Connecticut após receber um manifesto enviado por Allen pouco antes do ataque. Segundo o tabloide The New York Post, o suspeito enviou uma mensagem à sua família antes de realizar o ataque, na qual admitiu sua intenção de matar membros do governo Trump, que classificou como “criminosos”. No texto, o suspeito se autodenomina um “Assassino Federal Amigável”, disseram oficiais envolvidos nas investigações a agências de notícias.

Segundo a Associated Press, o homem usou o manifesto para criticar veementemente as medidas recentemente adotadas pelo governo dos EUA sob a gestão de Trump, embora não tenha mencionado o nome do presidente republicano. Já fontes ouvidas pela Reuters indicam que o documento ainda zombava da “insana” falta de segurança no hotel Hilton, onde o evento ocorreu.

O esquema de segurança foi eficaz?

Momentos após o incidente, Trump, que inicialmente fora levado para a suíte presidencial do hotel, chegou a declarar que gostaria de retomar o evento e discursar. Mas ele teria sido dissuadido pelo Serviço Secreto, que o convenceu a voltar à Casa Branca.

O presidente, então, declarou que gostaria de remarcar o jantar em até 30 dias. Mas a presença de um atirador no hotel levantou dúvidas sobre o esquema de segurança do evento. As autoridades acreditam que o suspeito conseguiu chegar até a entrada do salão do jantar porque já estaria registrado antes como hóspede do hotel. O Washington Hilton havia restringido a entrada desde as 14h do horário local – seis horas antes do início do jantar –, permitindo o acesso apenas de hóspedes e convidados.

Convidados do evento afirmam que só precisaram passar por uma revista de segurança ao entrar no salão do jantar, mas não na entrada do hotel. A jornalista Ines Pohl, chefe do escritório da DW em Washington, disse ter estranhado o fato de ter tido a entrada autorizada mediante a apresentação apenas de uma credencial de imprensa, sem foto.

O próprio Serviço Secreto, porém, defendeu seu esquema de segurança, dizendo que ele foi capaz de deter o suspeito armado antes que ele pudesse adentrar o salão do evento. Falando a jornalistas horas depois, Trump disse que o incidente da noite de sábado demonstrava por que a Casa Branca precisa de seu próprio salão de festas. A obra, considerada polêmica, tem custo estimado em 300 milhões de dólares.