O que é, o que é: metade golpista, metade centrão?

O que é, o que é: metade golpista, metade centrão?

A  Folha de S. Paulo publicou na edição desta quinta-feira um artigo do consultor de comunicação Mário Rosa, dizendo que os críticos de Jair Bolsonaro teimam em não aceitar que a nomeação de Ciro Nogueira (PP/PI) para a chefia da Casa Civil foi positiva.

Segundo Rosa, a escolha do senador representa um passo “na direção do fortalecimento do processo político, do fortalecimento do diálogo do governo com outros Poderes e, portanto, uma evolução do exercício democrático e da estabilidade institucional”.

Negar isso é implicância, diz o autor. É sustentar o impossível: que Bolsonaro possa ser golpista e velha política ao mesmo tempo.

Depois de dois anos e meio de governo Bolsonaro, talvez eu esteja mesmo um pouco implicante. Dou o braço a torcer. Mas nem por isso acredito que a mistura de golpismo com velha política resulte num bicho fantástico como as quimeras ou os hipogrifos.

O fato de ter entregado as chaves do governo ao centrão fisiológico não significa que Bolsonaro se converteu aos princípios do diálogo e da democracia. Representa apenas um recuo tático, para exorcizar o fantasma do impeachment e garantir que seu governo chegará às eleições de 2022.

Vista por esse ângulo, a jogada do presidente deixa de ser virtuosa, para ser somente oportunista.

Rosa tem outro argumento. Ele diz que Bolsonaro não foi o primeiro governante brasileiro a recorrer ao discurso contrário à política, nem será o último. Isso é verdade. Fernando Henrique Cardoso, como bom tucano histórico, torcia o nariz para o PMDB no final dos 90. Lula apontava o dedo para os “300 picaretas” que dizia haver no Congresso. Depois de chegarem ao Planalto, os dois se aconchegaram aos antigos desafetos, em nome da tal  governabilidade. Bolsonaro, portanto, estaria seguindo um padrão. Sua hipocrisia não seria maior que a dos antecessores.

É difícil brigar com esse raciocínio. Enquanto não houver uma reforma política que reduza o número de partidos no Congresso, qualquer presidente terá de se haver com as dificuldades de compor uma coalizão, que nunca será sustentada somente por ideias nobres.

Assim, sendo realistas quase ao ponto do desespero, o melhor que podemos esperar de nossos presidentes é que formem o seu grupo de governo, aprovem alguns bons projetos e entreguem o cargo ao sucessor quando chegar a horar. E esse é o problema de Bolsonaro. Na mesma semana em que abriu as portas do Palácio do Planalto ao centrão,

ele atacou várias vezes o sistema eleitoral. Por mais que se cerque de liras e nogueiras, não sabemos se ele está disposto a passar a faixa presidencial no fim do mandato.

Em outras palavras, sim, é possível combinar num mesmo corpo o golpismo e a velha política. Nem é preciso ser um bicho mítico para isso. Basta ser Bolsonaro.

(Em tempo: Mário Rosa diz que Ciro Nogueira tem credenciais para “ajudar a política no seu mais alto nível”. O senador compartilhou logo cedinho em suas redes sociais esse  elogio inesperado. Ou será que ele estava esperando?)

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PS: Vejo na televisão a crônica de um desastre anunciado: um dos galpões da Cinemateca, em São Paulo, está pegando fogo, o que põe em risco o mais rico acervo audiovisual da América Latina. Era sabido que poderia acontecer, pois há meses a Cinemateca está sem gestores e o governo federal, responsável pelo equipamento, nada fez para mudar essa situação. Agora, com o incêndio, a Cultura na presidência Bolsonaro ganha sua imagem-símbolo.


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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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